O início de novos meses traz-nos sempre mais e mais concertos – para a nossa felicidade, que somos fãs acérrimos de música e adoramos consumir ao máximo esta cultura. Foi na passada sexta-feira, dia 1 de Março, que o CCBeat recebeu a Surma. Para começar Março com o pé direito, e em comunhão com a beleza musicada do transcendental mundo de Débora Umbelino.

Ao entrarmos na sala, concerto ainda por começar, podia-se ver o inacabável fumo e uma sala que merecia estar lotada. Não esteve e não houve mal nenhum nisso – quem foi, sabe o bem que fez. E sentiu o florescer das emoções dentro de si, como só a Surma sabe transmitir. Uns minutos depois das nove da noite, sobe ela ao palco e começa a encantar-nos com canções acompanhadas por um robusto violoncelo. Não há um permanente esforço para pregar os olhos, de quem observa, ao palco – o processo é natural e fluído. As são luzes bem colocadas e as cores a rigor escolhidas. É um novo mundo a acontecer em palco, o olho humano não consegue desprender do diferente. Porque é o diferente, quando bem feito, que chama a atenção, e é o diferente que cativa.

E assim, do início ao fim, trocaram-se as palavras pelo silêncio – só com ele conseguimos dar a devida atenção à deslumbrante calmaria das melodias de Surma. Lá ia ela ajudando-nos a explorar e adorar mais Antwerpen, o seu único disco para já lançado. Foi dele que se fez o concerto – juntamente com “Maasai” e mais uma ou outra faixa improvisada pela artista. “Pugna”, a música que fez para o Festival da Canção, ficou de fora do alinhamento. O concerto durou cerca de uma hora e alguns minutos e Débora referiu-se por várias vezes emocionada, orgulhosa, feliz e também nervosa por tocar no CCBeat. Entre meigos sorrisos e tímidos agradecimentos entre as músicas, podemos facilmente concluir que Surma é um sinónimo de humildade. Ela é incrivelmente boa, uma das melhores a nível nacional, e não por isso deixa de agradecer com toda a modéstia. Um artista que toca corações não só pela música, como, também, pela simplicidade e ternura, é um artista que veio para vincar, e ficar – e a Surma é um bom exemplo disso.

No seu império de sintetizadores e teclados decorados com um bonito pano florido, a artista fez da primeira noite do mês um mar de rosas deliciosamente perfumadas que dão vontade de guardar para sempre. Surma voltou para um encore, onde o público prometia não a querer fora do palco. No final ela agradeceu de coração e o público aplaudiu até mais não. Ela dá concertos de chorar por mais. Fica garantido que foi um deleite de ir ao céu e voltar.

Texto: Alexzandra Souza

Fotografia: Hugo Domingues