No passado dia 22 de fevereiro o Musicbox foi a casa escolhida para a apresentação do novo EP dos Vaarwell, Early Rise. O trio lisboeta composto por Margarida Falcão, Ricardo Nagy e Luís Monteiro volta aos concertos na capital para mostrar ao público, em primeira mão, o EP que sucede a Love and Forgiveness EP (2015) e HOMEBOUND 456 (2017).

Antes dos principais artistas a noite abriu com Lour, um jovem músico, também de Lisboa, que viu o seu primeiro single “Honey” consagrado no duplo CD Talentos Fnac 2018. Tanto no Musicbox, como na “The Honey Tour”, Lour apresentou o seu primeiro single e outras composições no seu repertório. Após uma mini-tour por diversas lojas Fnac, Lour apresentou ao público de uma sala meio cheia as suas canções. Num concerto curto e com poucas palavras entre músicas, vemos em Lour uma presença jovem e tímida, como se daí algo estivesse a florescer. E parece estar mesmo. Para começar algo não é preciso muito, basta saber como começar. Há quem defenda que a música, apresentada de forma simples e descomplicada, tende a resultar melhor. Lour comprova isso. Canções simples, bonitas e verdadeiras. Com um estilo folk, indie, pop (ou dream-pop), o músico lisboeta lembra-nos Bon Iver, Mallu Magalhães (uma das suas artistas favoritas), ou até mesmo Keaton Henson, mas num registo mais esperançoso e feliz. Embora o seu primeiro single já tenha uma instrumentação diversa e esse seja o caminho a seguir no futuro, foi de forma intimista que se apresentou ao público da sala lisboeta. A aproximação com quem o está a ouvir é maior, garante o próprio.

Em palco foram apresentados os temas “Home”, “Ready to Love Someone”, “Remember Me”, “Alone”, e por fim, “Honey”. À excepção do último, todos os outros temas ainda não estão editados. O público saiu da primeira parte musical desta noite com um sorriso na cara, feliz com a música doce apresentada por Lour. Numa carreira que só agora está a começar, certamente o futuro trará coisas muito boas a este young kid with old thoughts.

Findada a primeira parte, entra em palco Margarida Falcão, e de guitarra eléctrica em riste o concerto começa com “Waiting Game”, tema presente no álbum HOMEBOUND 456.

Interrompido o concerto por causa de uns contratempos técnicos, deu tempo para uma pequena pausa para apresentação dos músicos que acompanhavam Margarida. “Stay” é o tema que surge logo a seguir. Uma interpretação fiel à versão de estúdio, mas só até certo ponto. O final deste tema vem dar um vislumbre do caminho que a banda está a seguir. Existe experimentação e liberdade para, em palco, fazer um pouco além do que já foi criado em estúdio.

Sucede “Deep”, que será o primeiro tema do novo EP, e que nele se ouvem mais os caminhos que a banda está a explorar. A vibe James Blake é notável. Existe contraste sonoro, samples que são disparados em palco e elevam uma música que, logo à partida, já é muito boa.

O comentário que Margarida faria aquando da pequena interrupção técnica vem a mostrar-se verdade: este concerto está feito para que eu não tenha que falar muito. Essa afirmação comprova-se na forma como a músicas se seguem, existindo encadeamento. “Float” não termina da forma “normal” e segue para outra atmosfera diferente. O beat que dá vontade de dançar desenfreadamente surge, cativando o público presente. Esta junção musical vem desaguar em “Won’t Let Go”, terceiro tema do EP Love and Forgiveness. Logo a seguir a banda apresenta mais um tema, “Young”, também do novo EP. À medida que o concerto decorre, a metamorfose musical que ocorre em Vaarwell vai sendo mais perceptível: diferentes tipos de teclados vão aparecendo. Só um ouvido mais distraído, ou alguém que estivesse a ouvir a banda pela primeira vez não reconheceria estas mudanças. O concerto prossegue com “You” e “Brunches”.

Entre agradecimentos ao público surge “Money”, o novo single de Vaarwell lançado no dia 18 de fevereiro. Vê-se (ou ouve-se) a “fórmula Vaarwell” a ser muito bem usada, não querendo com isto dizer que o trabalho seja uma obra já formatada que responde a linhas rígidas de composição – pelo contrário.  A música a que a banda de Margarida Falcão já nos habitua desde 2014 corresponde à identidade que ao longo do tempo foram criando. O seu estilo e alma musical são peças essenciais que garantem o afecto e ligação com quem os ouve. “Terminals” é o tema que serve de prelúdio para “I Never Leave, I Never Go”, outra das canções presentes em HOMEBOUND 456. Estes dois temas são também tocados de forma não original.

Num concerto onde parte do material é construído em estúdio, montando por fim um concerto completo, talvez fosse espectável pouca margem para desviar os temas do seu caminho original. Felizmente a qualidade dos músicos – tanto técnica, como criativa – é, de uma forma refrescante, surpreendente. Novas harmonias, melodias e ritmos que elevam aquilo que já era bom.

“Naturlight”, também um dos novos temas, traz diversos ambientes. Começando pela composição de vozes, transformando-se num num beat electrónico, regressando novamente a um ponto musical calmo e sereno. Num concerto que se tornava próximo do fim, Vaarwell tocam o tema que dá nome ao seu primeiro álbum HOMEBOUND 456. E da mesma forma que o público do Musicbox não queria ver Vaarwell ir embora, a banda despede-se com “Hate To See You Go”. Um tema em constante metamorfose musical, seja pela voz doce de Margarida Falcão até ao beat frenético que toma conta da maior parte do tema. As palavras hate to see you go são o condutor deste mais recente tema. Este foi um dos temas que mais despertou as pessoas presente na sala.

Vaarwell regressam ao Musicbox para mostrar o quão crescidos estão, bem como a sua música. É notável a forma como arriscam fazer sonoridades diferentes daquelas que os associavam a bandas como London Grammar ou The XX. A banda está a explorar para lá da sua zona de conforto, mostrando a quem os ouve o quão bons conseguem ser.

Serve também de lembrete que a banda irá atuar no próximo dia 13 de março, no festival SXSW, em Austin, no estado americano do Texas, sendo um enorme reconhecimento da banda nacional por terras estrangeiras. Para já as datas marcadas em solo português são o dia 17 de Maio no CAE, na Figueira da Foz, e no dia 4 de Julho, em Aveiro, numa sala ainda a anunciar.

Por cá estaremos ansiosos pelo lançamento do novo EP.

Texto e fotografia: João Conceição