Quando pensamos em rock eletrónico, não há muita banda que nos venha à cabeça e, quase de certeza, a primeira de que nos lembraremos é LCD Soundsystem. Electric Lady Sessions é o novo trabalho do grupo, saído no mês passado. Desta vez trata-se dum álbum ao vivo gravado nos Electric Lady Studios, que conta com 12 temas que incluem covers de Heaven 17, Chic e The Human League.

O Electric Lady Studios é um emblemático estúdio em Nova Iorque criado por Jimi Hendrix, em 1970, e por este já passaram bandas como os Kiss, Led Zeppelin, Ozzy Osbourne ou Rolling Stones. Desta vez contou com LCD Soundsystem dentro de suas portas. O grupo icónico que, se não é o pioneiro em muitas coisas que faz, é certamente um dos pioneiros, desbravando por sintetizadores, drum machines e percussões, e misturando-os com instrumentos como guitarras com distorção e baixo, fazendo-se soar como um um rock eletrónico ou um punk dançável. O álbum é composto por, entre vários temas da banda, singles como “tonite” ou “american dream” e pelos temas “Seconds” de The Human League, “I Want Your Love” dos Chic e “(We Don’t Need This) Fascist Groove Thang” dos Heaven 17. “Seconds” é o tema que abre o disco e primeira cover. A música não muda muito aquilo que é a original dos The Human League, exceptuando a sonoridade mais electrizante dos LCD, que recorre a um baixo distorcido e a uma secção rítmica muito mais poderosa e corpulenta do que a drum machine original.

Esta faz com que a música fuja um pouco da face disco da original, para algo mais à maneira de LCD. “I Want Your Love”, das Chic, é um tema originalmente funk, com as conhecidas linhas de baixo como um bom som funk o exige. A versão desta música é mais rápida, fazendo lembrar mais uma música acid jazz, à moda dos Jamiroquai, com uma espécie de remix nas vozes, repetindo partes. É uma cover enorme e muito bem conseguida, dando outra face ao tema. A cover da “(We Don’t Need This) Fascist Groove Thang” utiliza elementos das várias versões da música presentes no disco de remixes dos Heaven 17, de 2010, e constrói uma música com partes de todas essas, criando um ultimate remix. O riff de guitarra rápido, o início distorcido, as vozes femininas ou a malha fantástica do baixo, por exemplo, são partes aproveitadas de várias versões dos próprios Heaven 17 e juntas numa só e o resultado final é maravilhoso.

É um album que não foge àquilo que é o grupo, o que é o seu trabalho, e que não desilude dando ainda a alguns temas uma nova alma e uma sonoridade nova. LCD Soundsystem soa sempre bem, tanto ao vivo, como em estúdio ou em gravações ao vivo e como quem conhece o seu trabalho ou já os viu sabe, é sempre um prazer ouvir o grupo e o seu novo trabalho é mais um exemplo disso.

Nota: 8,0 /10 

Pedro Dias