Hoje celebra-se o dia da mulher e, por isso mesmo, decidimos compilar uma lista de novos talentos femininos que prometem dar que falar num futuro próximo. São seis talentosos projectos portugueses, que talvez ainda não conheçam mas, que valerão a pena a audição e a vossa curiosidade. O nosso atento radar considera que elas sagrarão na música e marcaram pontos e lugares muito próprios. Aconselhamos a que as tenham, também, em conta e que fiquem com um ouvido atento a elas. Um feliz dia da mulher, para todos vós!  

y.azz x b-mywingz

Chegam até nós como dupla que promete vincar no hip hop e r&b português. Mariana Prista é y.azz que dá voz ao projecto. Margarida Adão, b-mywingz a produtora da dupla. São duas jovens artistas que se conheceram fora de terras lusas, em Londres, deram-se bem e identificaram-se uma com a outra. Após algumas trocas de palavras decidiram que seria giro começarem a investir numa colaboração musical e cá estão.

“Cycles” é a única canção para já lançada e basta ela para que a bola de cristal nos dê luz verde e diga que elas terão um abundante futuro. A letra fala de amor e sentimentos de valorização e desvalorização pessoal. O instrumental que rodeia a voz da cantora, ajuda a clarificar a mensagem que não é direta mas vai-se tornando óbvia a cada audição. O videoclip ficou a cargo de Sara Mendes e João Santana que auxiliaram a ideia que “Cycles” quer transmitir.

Com uma voz que se cola de imediato ao ouvido e uma produção que nos deixa de queixo caído, elas darão que falar. Influências claras em The Weeknd, Jorja Smith e Mahalia. Ainda não existem planos para lançamento de EP ou disco. No entanto, teremos, de certeza, mais canções para nos beliscar e aguçar a curiosidade. É ir observando-as de perto, sem nunca tirar o olho.

Marinho

Filipa Marinho é uma cara conhecida para quem acompanha o mundo da música portuguesa, de perto. A Tradiio é um dos locais que nos recorda a Filipa e de talvez, tanto promover artistas e expressões musicais quis ela criar a sua.

Marinho é o projecto musical da mulher que quer espalhar o feminismo através das suas notas musicais e escritas, cantadas. Foi lançada hoje a primeira faixa, “Ghost Notes”, e podemos garantir que soa a uma pop alternativa viajante e reconfortante. Ecoa o mundo de Filipa e soa a algo leve e brilhante, de fácil digestão. Ela transborda talento e provoca em nós uma maré de sentimentos incontestavelmente bons. É doce, almofadada com encanto, e a letra fica facilmente na ponta da língua. O timbre deixa de queixo caído quem a oiça e a vontade de clicar no play, repetidas vezes, fica presente logo após a primeira audição. Acreditamos que estará na nossa playlist essencial a ouvir todos os dias, durante uns bons tempos.

A mulher de forte personalidade vai-se apresentar ao mundo, no campo dos concertos, hoje. O encontro está marcado no Titanic Sur Mer, numa das nossas queridas Punch Sessions, à beira Tejo. É virem e ouvirem, o projecto que promete dar que falar!

A Negra

Sara Ribeiro é um pedaço de arte viva. Caminhando pelas artes performativas, é em 2018 que a atriz decide lançar-se a solo no mundo da música. A cooperativa Ao Sul do Mundo acolhe-a, detectando o talento pronto a ebulir. Desde então, tem dado concertos pelo país afora.

A Negra afirma-se como o projecto que “é o resumo da sua longa jornada enquanto intérprete e marca um novo caminho que cruza os seus vários mundos artísticos”. Ela faz-se acompanhar por Hugo Novo (GNR, Loopless), no teclado, e Márcio Pinto (Terrakota, Olivetreedance), na bateria. A sonoridade é algo que vai navegando entre o hip hop, a soul, os ritmos tribais e um r&b. É difícil resumir o que o projecto é, mas podemos dizer que é, sobretudo, uma forte manifestação artística que, quando atentos, facilmente nós puxa para dentro do seu mundo. A vontade de uma constante exploração nasce em quem vê e ouve. Sara Ribeiro demonstra, diretamente, os traços fortes da sua personalidade e deixa-nos sempre a pedir por mais. O que faz dos seus concertos experiências transcendentais.

A artista vai estar no festival MIL e, se ela ainda não está no vosso roteiro, mudem isso. Incluam-na, procurem pelo concerto dela. É garantido que se tornam fãs. E, diga-se de passagem, ela está prestes a provocar explosões positivas e bombásticas na música portuguesa.

NESS

Vanessa Costa é NESS, que a própria descreve como “um alter ego que nasceu das ruas da Linha de Sintra e que conta a sua perspectiva sobre o que é viver num mundo onde, desde pequena, teve que aprender a definição de auto-reflexão, independência e perdão”. NESS manifesta a sua alma usando a veia da electrónica, soul e r&b, e o veículo é a vontade de afirmar a “sua inquietação lírica e graciosidade pela melodia”. Foi acolhida pela Troublemaker Records e tem vindo a crescer timidamente, desde então.

Prevê-se o lançamento do primeiro EP, “MESS”, para breve. No entanto, e até agora, “Karma” é a única faixa que existe disponível. A lembrança de Jorja Smith é inevitável, aquando a audição da música – provavelmente será uma das influências da jovem cantora. A faixa é calma mas uma bomba, no que diz respeito à captação de atenções alheias. A suave, e bem colocada, voz de Vanessa é o ponto de partida que nos leva a querer ouvir mais e mais. Entra a pés juntos na indústria e promete marcar pontos, fixando-se explosivamente e criando um lugar próprio na música portuguesa.

NESS já atuou em importantes palcos de Lisboa como o Musicbox Lisboa, o Damas ou o Titanic Sur Mer. Toca na Galeria Zé dos Bois no próximo dia 23 de Março, a propósito do evento Suspension. É ir e apreciar o fenómeno ao vivo e a cores!

Inês Pimenta

Não faria sentido a bonita e cativante voz de Inês estar fora de uma lista de talentos que prometem ser brindados com muito sucesso num futuro próximo. Fazem falta iniciativas como a de Inês, que dão origem a uma lufada de ar fresco na música portuguesa.

“Inês Pimenta cedo se encontrou na música. Estudou-a até querer, e distraiu-se com afinco na Arquitectura, no design, na ponderação e na timidez”. E, na música, aparece ela em 2018 com o EP Son Of Daedalus. Após o lançamento, rapidamente cresce um burburinho positivo em torno do projecto. O talento é notório – ela transpõe para a música, de uma forma extraordinária, exatamente o seu vasto conhecimento musical, aliado à vontade de se exprimir em acordes. O mundo que sofre uma brilhante iluminação é o do jazz, e Inês Pimenta jamais será para esquecer. O arrepiante e harmónico timbre é estrondosamente cativante.

As músicas são sobre o que ela vê e vai vivendo. São histórias que ela quer e nos vai contando. E são só quatro belas histórias – nós precisamos de mais. Aguarda-se um longa duração que esperamos que esteja para breve. Até lá, oiçam e, tendo oportunidade, vão ver Inês Pimenta ao vivo.

Callaz

Maria Soromenho é artista visual, designer, e tem uma carreira na indústria da moda. Segue a filosofia DIY e tem um olho estético. Em 2017 decide lançar-se no mundo da música com o projecto Callaz, e tem vindo a construir sossegadas canções que acalmam qualquer ânimo.

Já tem dois EPs. Beer, Dog Shit & Chanel Nº5 é sobretudo composto por músicas de muita calmaria. São canções algo melancólicas e com fundamento na pop experimental – vai navegando à procura de uma identidade própria, que parece ainda estar à deriva. Daí ser curioso ir-se observando a evolução musical do projecto. O segundo EP, Gaslight. afirma mais esta identidade. A produção ficou a cargo de Primeira Dama e Chinaskee. O objetivo é que se entendam os devaneios poéticos e aprofundados das experiência de Maria – e consegue-se chegar lá, por isso missão cumprida.

Callaz ainda está verde, mas o fio condutor que pode fazer dela um projecto interessante, e destacado, está lá. O timbre é característico e diferente de tudo o que se ouve a nível nacional. Ao vivo, diz-se que a coesão sublinha as estruturas do projecto e das músicas que se estruturam e vivem “refrões incisivos na escuridão dançante” típica de Callaz. Espreitar um concerto desta jovem é um conselho que vos damos para 2019.

Alexzandra Souza