O quarto álbum dos Capitão Fausto, A Invenção do Dia Claro, deixa para trás o indie rock juvenil e dá-nos canções pop, românticas e cheias de brilho nos olhos. A passagem por São Paulo no Brasil para gravações também serviu de inspiração e para dar um toque diferente à sua musicalidade, mas sem nunca lhe retirar a identidade. Este novo trabalho mostra maturidade, por conseguir desbravar novos caminhos e querer mostrar outras virtudes. Por detrás de uns capitães festivos, há uma faceta mais sentimental. É um álbum bem conseguido e para ver ao vivo ao lado de um novo amor.

Sem entrar em grandes ilusões, a banda de Lisboa sabia que tinha de dar algo diferente mas, ao mesmo tempo, que os desafiasse. O seu terceiro álbum, Capitão Fausto Têm Os Dias Contados foi um álbum de afirmação e para marcar posição. Deixaram de ser uma banda pequena e passaram a estar dentro do circuito maior da música portuguesa. A partir desse momento, o compromisso deixou de ser só com eles, mas também com o público, com a editora e com a crítica. Neste novo trabalho vê-se que lidaram bem com essa pressão e souberam definir o que queriam.

A passagem por São Paulo foi um momento importante na construção das novas canções, mais do que poder sair da rotina diária e produzir música numa realidade diferente. A banda soube captar bem as influências que vêm do país irmão. Elas não estão lá explicitamente mas, depois de uma escuta mais cuidada, é possível perceber isso através de alguns arranjos, dos instrumentos pouco usuais, ou até mesmo nos ritmos das músicas. A música brasileira tem vários mundos dentro dela, o que os Fausto fizeram foi selecionar aquilo que podia complementar melhor a sua música, sem que esta ficasse completamente desfigurada.

Uma das canções mais interessantes, que mostra como souberam usar bem essas referências é a “Lentamente”. Não só o nome da música está no gerúndio, um traço muito comum do português do Brasil, mas também esta canção faz muito lembrar uma artista muito versátil, Rita Lee. A artista brasileira sempre teve um lado mais lúdico, onde a palavra e os ritmos tinham espaço para ser usados de uma maneira mais plástica. Tal foi algo que os Capitão Fausto também souberam fazer ao longo da sua curta carreira.

Contudo, conseguimos desvendar um lado mais emocional e preocupado nesta nova fase. O lado mais maduro da banda não se vê só na forma como encaram a sua música, mas também como encaram a vida que os rodeia.  O amor é visto de uma forma mais pragmática. Em “Amor, a Nossa Vida” canta-se essa lado mais objectivo do amor, mas sem deixar de acreditar nele. Este tema conta já também com um belo vídeoclipe a preto e branco. Na canção “Faço Vontades”, as obrigações e compromissos são vistos também já de uma forma mais adulta. Para além dos erros assumidos, há consciência destes. Há crescimento notório destes jovens adultos, que querem continuar a descobrir-se a nível artístico e não só.

Com este disco, os Capitão Fausto não querem dar mais do mesmo. Arriscaram e souberam procurar o que fazia sentido nesta fase da sua carreira. Ter esse discernimento e manter o rumo, mostra não só uma boa união entre a banda, mas também uma capacidade de foco. Neste trabalho encontramos canções mais lentas, baladas, temas mais sentimentais. Descobrimos uns novos Fausto, mas também acabamos por descobrir um pouco de nós.

Nota: 7.5 / 10

Rodrigo Toledo