No passado sábado, dia 6 de Abril, a Altice Arena foi o palco de um dos concertos mais memoráveis de 2019, para uma legião de fãs que insiste em se expandir e solidificar. Era o dia que marcava o regresso de uma das mais adoradas bandas a solo nacional: Dave Matthews Band. O concerto encerrou a recente tour da banda. Nós estivemos lá, para vos contar tudo.

Na última digressão, com a qual também por cá passaram, brindaram-nos com arranque da tour. Desta vez, fomos palco para o encerramento de uma tour que visava apresentar o último álbum, Come Tomorrow, e reviver temas intemporais que fazem, desde sempre, parte das nossas vidas. A Altice Arena estava mais que bem composta e o ambiente que antecedeu o concerto deixava notória a transbordante felicidade sentida pelos fãs. Não houve banda de abertura e nem havia necessidade disso. Estávamos prestes a ver um concerto que teria a duração de quase três horas – e sem pausas até ao encore que finalizou o concerto.

A formação inicial da banda foi-se alterando com o tempo – e isso deixa ressaltar algumas diferenças, ainda que nada substancial nem que deixe alterar a qualidade da banda. Muito pelo contrário. Assim que Dave Matthews e os seus companheiros subiram a palco, os aplausos tornaram-se ensurdecedores. O glorificante sentimento de que se iria ouvir as músicas que marcam gerações tornou-se a linha vincada que serviu de definição do concerto: uma viagem ao passado com uns laivos de muito futuro, presentes.

Temas novos foram ouvidos e tocados – e entoados em cânticos que ecoavam pela sala afora. Fossem novas ou não, o público teimava em mostrar o quão bem havia estudado em casa as letras. “Funny The Way It Is”, “Can’t Stop” ou “Everyday” foram algumas, das muitas tocadas ao longo do serão que se prolongou, e ainda bem. A banda regozijava o entusiasmo da plateia incansável, tocando mais e mais, e comunicando sempre com muito humor e carinho. O som não era o ideal, mas nem isso parou a banda de dar um bonito espectáculo, que satisfez a sede de quem precisava de ouvir e ver, talvez, a sua banda preferida. A simplicidade de Dave Matthews permanece a mesma de sempre, passem os anos que passarem. Ali fica, quietinho a tocar e a cantar e pouco mais faz – e nem precisa de fazer.

A relação da banda com o público português é íntima e próxima e este concerto demonstrou isso mesmo, dando espaço para os músicos criassem numa Altice Arena, que é só a maior sala de Lisboa, vários momentos que apelavam para essa intimidade inerente, que provoca um senso de familiaridade. “Here On Out” foi talvez o melhor exemplo dessa mesma sensação. As luzes dos telemóveis acenderam-se e criaram um bonito momento, repleto de sentimentalismos emocionais que aqueciam o coração, ou apenas deixavam escapar aquela lágrima no canto do olho. Facilmente viu-se e confirmou-se essa relação muito própria que o público e a banda já têm – e dificilmente deixarão de ter. Conseguir criar um momento destes, quando o palco é uma arena quase lotada, não é obra fácil. Geralmente pede algum esforço de quem está do outro lado, a tocar. Dave Matthews e os seus músicos nada mais tiveram de fazer do que limitarem-se a tocar, com aquela simplicidade que puxa por este feliz matrimónio que já têm com os portugueses.

Houve tempo, também, para um cover de Peter Gabriel e outro de Steve Miller Band que apelaram ao ânimo do público. Para além disso, Carlos Malta foi um dos convidados que subiu ao palco para tocar com a banda e saudar o público com três músicas que muitas enérgicas danças causaram. Pouco depois de todos estes mimos, a banda abandonou o palco e voltou a subir para um encore que incluiu um cover de Bob Dylan, terminando, assim, e em beleza, a noite que se poderia ter prologando por muitas mais horas, que ninguém arredaria pé.

A euforia caminhou, do início ao fim, de forma progressiva e ao lado da energia que os músicos iam transmitindo, a cada segundo que passava do concerto. Resta dizer que fica a suspeita de estreitamento do relacionamento com o público: o que já era bom, melhorou. E quem já era feliz a ouvir Dave Matthews Band pareceu sair com um brilho nos olhos ainda maior – e com uma felicidade muito mais vincada. Missão cumprida.

Texto: Alexzandra Souza

Fotografia: Luís Sousa (Música em DX)