Foi no passado sábado, dia 27 de abril, que o Lux Frágil se encheu para receber Noname, artista de Chicago que se deslocou até Lisboa para encerrar a sua tour Room 25, tour de apresentação do seu mais recente álbum. Se a aposta no hip-hop, nos tradicionais festivais de verão portugueses, já tinha vindo a encantar, com os diversos artistas internacionais a atuar em Portugal, entre eles nomes tão emblemáticos como Havoc, Travis Scott, Anderson Paak ou Joey Bada$$, coube à Everything New manter o nível artístico e não desiludiram na escolha.

Noname, estreante em Portugal, subiu ao palco depois de 15 minutos, em que segundo a própria, esteve presa com a restante banda no elevador. Ainda assim, não se coibiu de mostrar o bom à vontade que lhe é característico, nas suas faixas de neo-soul hip-hop e entrou a todo o gás, quase não dando tempo ao público para aplaudir a sua presença. “Self” foi o tema que abriu a noite e o mote para a mesma: sorrisos, descontração e intimidade. Logo de seguida e sem abrandar, “Blaxpoitation”. O segundo tema do álbum Room 25, um dos favoritos do público, foi o príncipio de um concerto com muita proximidade entre o público e Noname, tendo este, por diversas vezes, interagido e ajudado na continuidade do concerto, cantando lado-a-lado com Fatimah Nyeema Warner (Noname) que chegou a exigir – sim, isso mesmo – ao público mais energia e descontração.

Room 25 é o nome do seu álbum de estreia e da tour de apresentação do mesmo, mas para fãs mais antigos também houve tempo para temas clássicos, como “Yesterday”, “Casket Pretty” ou “Shadow Man”. Todos eles pertencentes à mixtape lançada em 2015, Telephone.

Noname: Em casa pela primeira vez [Lux Frágil - 27Abr'19]

Histórias e piadas foram sendo quebra-gelo num concerto marcado pela intimidade e honestidade bruta de Noname, fosse através das suas letras interventivas ou das suas intervenções mais descontraídas. “Montego Bae” sofreu uma interrupção da própria, que se esqueceu da letra mas rapidamente o público assumiu algumas despesas de estar a assistir ao último concerto de uma longa tour e Noname prosseguiu sem grandes problemas.

Constantemente comparada a nomes como Erykah Badu ou Lauryn Hill, a doçura vocal de Noname vai marcando a diferença por entre temas onde o R&B, o soul e o jazz se fundem, para instrumentalizar a experiência em vida de Noname, que segue aperfeiçoando a sua arte depois de, sob o seu anterior pseudónimo, Noname Gypsy, ter lançado Fatimah Now.

Muita dança, sorrisos e algumas lágrimas de satisfação podem muito bem resumir aquela que foi a estreia absoluta em Portugal de Noname, num dos mais emblemáticos espaços do país, o Lux Frágil, deixando água na boca por mais aos muitos fãs que se deslocaram, no passado sábado, para assistir à performance de uma contadora de histórias que é acompanhada por uma banda com peso e medida. “Shadow Man” em a capella com o público, fechou o encore apaixonadamente, arrancando muitos aplausos da fiel legião de seguidores.

Texto: Duarte Mendes Barreiros
Fotografias: Alexandra Tavares Agostinho