É na prodigiosa cidade de Leiria que surge o projecto Lost Lake. Adriana Lisboa e Gil Jerónimo são os ingredientes harmoniosos que nos dão a saborosa experiência por trás de Lost Lake – ela a mente por detrás do projecto, ele encarregue da produção.

A existência do projecto obriga-nos (ainda que inconscientemente) a vivenciar uma inevitável viagem atmosférica pela realidade da retrowave music. Louvável é a quebra de correntes; é esta ondulação dos sintetizadores e de batidas animadas que nos contextualiza algures no verão de 1989. Encontramo-nos na figura de uma criança dançarina no quarto, pronta a jogar o seu videojogo favorito, enquanto a mãe reclama a clandestinidade do filho(a) preso a um comando, enquanto o sol derrete as figuras citadinas. Será essa necessidade física e existencial que nos prende ao pressuposto musical? Lost Lake querer-nos-ão metafísicos? Entretanto, a ondulação sonoplástica invade os nossos ouvidos e imaginamo-nos em um qualquer momento desse mesmo verão prometido! Soltemos a vontade de fechar os olhos, e talvez consigamos ver a Voyager 2 alcançar Neptuno!

“Dream Pills” é o primeiro tema justificante da promessa do seu futuro EP, onde claramente conseguimos identificar elementos dançantes e vibrantes de projectos como Miami Nights 1984 ou Perturbator. Este EP virá dar-nos resposta a todas as dúvidas e incertezas que justificam a nossa necessidade de ouvir mais. Disse o filósofo Alfred Jules Ayer: “I saw a Divine Being. I’m afraid I’m going to have to revise all my various books and opinions.” – Alfred, terá o senhor visto os Lost Lake em plena viagem no espaço-tempo?

Lécio Dias