Rita Sedas (Anarchicks) e Diogo Barbosa partilham uma paixão pela música, pela divulgação artística e pela procura de novos talentos. Assim nasceu a agência de música Throwing Punches, que procura dar algo diferente ao mercado da música portuguesa e desbravar novos caminhos. A Punch Magazine falou com os dois novos promotores para perceber como veem o mercado e onde querem chegar.

Como surgiu a vontade de fundar uma agência de música?

Rita: Eu já fazia o management de Anarchicks, fiz também a promoção do último disco e o bichinho ficou. Entretanto estive com a Às de Espadas durante algum tempo mas a verdade é que começou a escalar em mim uma vontade muito grande de ter a minha própria casa. O Diogo já me tinha abordado há uns tempos no sentido de fazermos alguma coisa em conjunto e eu voltei atrás e resgatei essa ideia, falei com ele e foi mútua essa vontade de criarmos um espaço onde os artistas possam crescer e viver a música.

O que é que vocês propõem de diferente com este projecto?

Rita: Nós queremos que este projecto seja como uma segunda casa para as pessoas com quem trabalhamos. Tenho aprendido com a experiência que é muito importante ter um sítio nosso, andar na guerra e puder voltar à base, ter um porto seguro. Acho sinceramente que uma das coisas mais importantes para o sucesso é trabalhares com pessoas que acreditam no teu trabalho, que gostam genuinamente do que estão a representar porque isso transparece para os outros que estão à volta. Esse é um dos motes da Throwing Punches, é trabalharmos apenas com artistas em quem acreditamos, artistas que aceleram os nossos bpm’s.

Pretendem procurar novos talentos para se juntar à vossa agência?
Diogo:
Sim, essa é uma das nossas prioridades, senão a maior.

Como vêem o mercado da música atualmente?
Rita:
Para ser sincera, neste momento sinto-o um bocadinho saturado, por isso é que quando aparece algum projecto diferente acaba por receber muita atenção do público. O mercado está muito mais exigente, as pessoas estão mais exigentes.

Rita tu também estás ligada às Anarchicks, hoje em dia é possível um músico conciliar um trabalho com a vida de artista?

Rita: Eu acho sinceramente que tudo é possível desde que queiras muito. No meu caso, é possível, sim. É duro, não digo que não e às vezes é preciso fazer ginástica para conciliar. O que acontece é que podes não estar tão disponível como se estivesses na música a full time e às vezes perdes algumas oportunidades ou acabas por vivê-las de forma diferente do que gostarias. É muito difícil viver da música em Portugal por isso se conseguirem conciliar, excelente!

Como mulher já sentes que há mais espaço para as mulheres não só nos palcos, mas também na indústria da música?

Rita: Claro que sim, sem dúvida, os tempos vão evoluindo e as mentalidades vão-se alterando. No entanto, sinto que continuamos a ter que provar mais do que os homens, se é isso que estás a perguntar, no sentido de que não somos só helicópteros, também sabemos o que estamos a fazer. O talento é transversal ao género disso não tenho dúvidas e esse deveria ser o foco e principal ponto de partida.

É mais fácil ser artista hoje em dia do que era há 20 ou 30 anos?
Diogo:
Isso é um pau de dois bicos… Se por um lado hoje em dia tens muito mais recursos e meios para fazer música e para fazer com que essa música chegue às pessoas, por outro a oferta também é muito maior, hoje em dia existem muitas bandas e de outras zonas que não Porto e Lisboa, bandas de cidades como Braga, Leiria, Barcelos, etc. Boas bandas! Hoje em dia ou crias algo especial que se consiga destacar imediatamente do resto ou então é muito provável que o teu projecto acabe por se perder nesse oceano que é a Internet. Mas é para evitar que isso que eu e a Rita aqui estamos! (risos)

Rita: Concordo. Hoje existem mais oportunidades, o que é excelente! É engraçado pensar que antigamente para seres alguém na música tinhas que esperar que um dos únicos produtores que existia ouvisse a tua maquete, que tinha sido enviada pelo correio e que só era recebida quase uma semana depois, rezar para que esse produtor visse algo de especial em ti, pegasse no teu trabalho e decidisse gravar-te um disco. Hoje tudo está à distância de um clique e a maior parte dos artistas faz as coisas de forma independente. Acho que sempre existiram muitos artistas o que mudou foi apenas a maneira como hoje podemos divulgar e pôr cá fora os nossos projectos.

O boom da música portuguesa que se deu há dez anos ainda está presente ou estamos a passar por uma nova fase?
Diogo:
Eu penso que esse “boom” de que falas, está mais associado aos géneros e ao tipo de música que se faz, algo que acho ser cíclico. Por exemplo, aquilo que era “cool” nos anos 90 agora está-se a tornar “cool” outra vez. Acho que há coisas que já estão mais do que inventadas e as pessoas acabam por reciclar algo que já foi feito noutro contexto histórico qualquer, não chamaria a isso um “boom”, é re-adaptares algo que já existe à tua realidade. Na entanto, acho que de forma geral sempre tivemos bons músicos e boas bandas em Portugal, não só há 10 anos mas também há 20, 30 ou 40 anos e aquelas que conseguiram descolar-se desse conceito de reciclagem, são provavelmente, ainda hoje, as maiores bandas que tivemos (e temos) em Portugal, bandas que resistiram ao tempo até agora e provavelmente ainda vão ser lembradas e ouvidas daqui a 50 anos. Acho que o que mudou foi a maneira como ouvimos música e como chegamos a ela ou como consumimos informação no geral. Temos tudo muito mais à mão e conseguimos também fazer com que a nossa música chegue às pessoas mais facilmente e muito mais rápido.

Quais são os vossos objectivos a curto e longo prazo?
Diogo: Como já disse, uma das nossas prioridades a curto prazo é procurar músicos ou bandas para se juntar a nós, assim como dar continuidade ao trabalho que já temos vindo a fazer com outros artistas. A longo prazo, gostava de conseguir atingir outros patamares com a agência que também me permitissem viver inteiramente disto, e já agora, da música que eu próprio faço.

Rodrigo Toledo