É, Beatriz Pereira, a maravilhosa gema oriunda de Ourém, que nos vem dar a modéstia sensível de uma genialidade tão jovem; que só a si deve as vinte e uma satisfações!

Pela sua voz, é Maria, humanamente sincera, mas escondida por um traço humilde e harmonioso, pela qual canta às cascatas mundanais da sua criatividade extravasante. Carismaticamente, por sinal, aconchega-nos o “rei/rainha barrigudo” que nos prende à ideia de consumir, num só trabalho, as influências de um Fado mergulhado em Bossa Nova dos solstícios do Canto Popular, cuja esperança Pop nos sustenta o ato de cantarolar! Com tamanho carinho, é editado pela Chinfrim Discos, o seu EP de estreia “Malmequeres, Bem Te Quero“, como resposta ao seu single “José“.

Malmequeres, Bem Te Quero” é, acima de tudo, uma gargalhada fresca; como aquele romance invernal, na primavera de todas as nossas vidas. Há algo especial em toda a sua simplicidade ornamentada; algo que nos deixa a vontade de devorar Bróculos com Queijo, enquanto nos defendem das inseguranças nascidas no “romantizar-te”. É assim que o encanto do José é cantado, sob a luz dos Presságios ideais de um romance infinito,finito, com Paciência, por Maria.

As sonoridades bucólicas, animadas e ritmadas concorrem com a lírica maravilhosa que nos acompanha ao longo desta bonita história de amor. Bonita, por sinal, por ser a história que por ser tão própria de Maria e de José, acaba por ser de todos nós. É na calha milagrosa e sonhadora dos desgostos constantes, das relações que vivem e, além destas, as que nunca tiveram a oportunidade de viver, que se compreende o ideal tão humano e sincero. Amar é um pouco (e nada mais) que bem querer, a quem mal nos quer.

Lécio Dias