Meta aprimora-nos com a sua intenção, conduzindo-nos a uma passagem modesta para o seu singular universo, através do seu EP “Mónada“, que vem suceder o single “Saudade“.

Mariana Bragada assume-se como a figura extensiva que aconchega a nossa chegada à transcendência impressiva que nos acolhe. A ambiência constante de uma ancestralidade quase tão velha quanto o espírito consciente, leva-nos a compreender uma panóplia de realidades lógicas. Algo de inspiracional surge com cada razão portuguesa impressa na mais pequena melodia cantada pela própria. A vocalização natural, atípica, agarra-nos, incompreensivelmente e o suspense, intenso, é-nos patrocinado pelo circuito de uma loopstation. É todo o contexto anterior que nos justifica a acertada escolha do nome do trabalho. Leibniz idealizava, por si, a substância individual, no quadro da metafísica pluralista; infinita, por sinal, mas simples.

Mónada é o componente último da realidade, enquanto substância simples, individualizada e espiritual, descoberta pela ordem natural da razão. Pela sua crença atómica, podemos reconhecer que a vontade de Deus é a única capaz de criar ou destruir mónadas – palavras do próprio Leibniz. É nesta vontade divina que se fundamenta a criação deste trabalho, pois, Meta, é capaz de nos provar a cada melodia ancestral, que algo de transcendentalista abraça este projeto.

Lécio Dias