A música cantada em português conhece um novo capítulo a cada semana que passa e os Paradoxo são um capítulo fantástico, cheios de energia e com um som muito limpo. O seu primeiro trabalho, único álbum até ao momento, chama-se Lado do Lago e saiu em 2018. Desde então, têm feito um percurso nas pequenas salas, fazendo a festa onde pode e dando a conhecer-se a quem estiver aberto a uma banda que tem muito amor para dar. O seu percurso ainda curto pode ainda não revelar muito, mas há aqui muita vontade e garra de dar um bom espectáculo, surpreender e deixar as pessoas que queixo no chão. Os Paradoxo estão frescos e nós queremos aproveitar!

O álbum de apresentação, Lado do Lago está cheio de riffs chorudos, teclas psicadélicas e ritmos dançantes, bem como baixos deambulantes e taciturnos e momentos de introspeção. A primeira música, “Raízes do Ódio” retira-nos imediatamente de Sintra e leva-nos para a praia mais próxima, ou não tão próxima, porque logo a seguir entramos no voo “62″, segunda música do álbum e a primeira em que ouvimos a voz rouca dos Paradoxo. É em português de Portugal que seguimos nesta viagem diretamente para “Lado do Lago” (primeiro single extraído do álbum e tema que dá nome ao mesmo), um dos momentos altos desta estreia dos Paradoxo. A guitarra que tão bem acompanha a voz (ou vice-versa), durante os versos, faz-nos perceber a razão da escolha do tema para o videoclipe de apresentação. “Ode”, música que se segue, faz jus ao nome ao incorporar tão bem o alternativo e o experimental que os Paradoxo assumem como inspiração. “Nada é Nem” é balada embriagada de fim de madrugada/início de dia e um dos nossos momentos preferidos neste longa duração. Já quase no fim, chegam as Gémeas (I e II), levam-nos a dançar e mostram-nos que mesmo as irmãs gémeas têm personalidades diferentes, apesar de partilharem um só ADN. Como diria Manuel Cruz, “chegámos ao fim da canção” e “Dílias do Lago” é a ultima, mas não menos importante música de Lado do Lago e o refrão, esse, ainda paira pela redação da Punch.

Em suma, Lado do Lago serve-nos como apresentação aos Paradoxo: uma banda com identidade própria, mas que não esconde os lagos em que bebeu inspiração. São cerca de 30 minutos que nos deixam com muita curiosidade para ver o que se segue para estes rapazes de Sintra.

Nota: 7,0/10

Diogo Silva