Vindos de Madrid, os dois amigos de infância Dani e Nobita trazem o punk e o lo-fi espanhol ao território português. Tal como em Portugal, em terras espanholas há uma nova geração que faz música com uma nova atitude, combina géneros musicais e procura inovar. Este ano lançaram o seu EP de estreia Nice to Meet You, We’re Huge Fans!, que mostra alguns pontos de ligação com algumas bandas portuguesas como os Ditch Days ou os Cave Story. A música vinda do nosso país vizinho é sempre bem-vinda e estamos com vontade de conhecer os Drunkyard.

Antes da sua actuação na próxima Punch Session (nesta sexta-feira – 13 de Dezembro) desafiámo-los a desvendarem as músicas que já lhes marcaram a vida, alguns guilty pleasures e ainda artistas que devemos ter em atenção.

1. Qual a primeira música que ouviste em repeat?
(Dani Oliveira): Green Day – “Basket Case”. Vieram aos MTV EMAs de 2005, em Lisboa, e foi então que os conheci. Acho que os meus pais se arrependeram de me terem comprado o American Idiot, porque passei a ser o DJ em todas as viagens de carro… Depois tive um caso com a “Basket Case” e foi, sem dúvida, a música mais viciante dos meus dez anos.
(António Nobre – Nobita): Yellowcard – “Ocean Avenue” Acho que todos os que crescemos na minha geração tivemos uma fase de Blink, Sum41, Good Charlotte, +44, Boxcar Racer… no meu caso Yellowcard bateu mais forte e durante muito mais tempo. E começou com a “Ocean Avenue”. Se fossemos mais longe, o que me lembro mais de ouvir no carro dos meus pais, era “Postal dos Correios”, dos Rio Grande, mas aí eu não era o DJ residente.

2. A música que vais ouvir para todo o sempre?
(Dani Oliveira): Pink Floyd – “Time”. Ou qualquer uma do The Dark Side Of The Moon, mas a mais atemporal é mesmo a “Time”.
(António Nobre – Nobita): The Verve – “Bittersweet Symphony”. Esta é daquelas que marcou vários períodos da minha vida. Acho que o sentimento que a música transmite resume perfeitamente o que é a vida e a letra (que é genial) acaba com “It’s just sex and violence, melody and silence”. Esta vai ser mesmo para todo o sempre porque já deixei instruções para isto tocar no meu funeral e agora que o Ashcroft já recebe os royalties da música, já a podem deixar em repeat.

3. Uma música que gostasses de ter escrito?
(Dani Oliveira): Beach Fossils – “Adversity”. A minha banda preferida de sempre, Pt. XX. Exemplo perfeito de que as coisas simples são (quase) sempre melhores. Uma linha de baixo genial e melodias de guitarra com excesso de reverb. Quem precisa de acordes?
(António Nobre – Nobita): Hockey Dad – “Babes”. Depois de ouvir isto juntos, eu e o Dani decidimos começar os Drunkyard. Esta música dá-me vontade de entrar no carro, pisar o acelerador, ir para o concerto mais próximo e entrar no mosh. É daquelas que acho que nunca me vou cansar.

4. A música que define a tua juventude?
(Dani Oliveira): Arctic Monkeys – “A Certain Romance”. Provavelmente a banda da adolescência da minha geração. O Nobita e eu, muito antes de começarmos os Drunkyard, tocávamos naquele clássico banda de Punk de putos de 15 anos – e esta foi uma das muitas músicas que destruíamos todas as sextas-feiras, nos ensaios depois da escola.
(António Nobre – Nobita): Japandroids – “Younger Us”. ”(…) remember saying things like we’ll sleep when were dead and thinking that feeling was never gonna end? Remember that night you were already in bed, said fuck it and got up to drink with me instead”. Não só pela letra, mas toda a música me transporta para o tempo de fazer estupidezes sem pensar nas consequências e de rir até cair para o lado. Tão bom.

5. A letra de uma música que te inspire?
(Dani Oliveira): Fontaines DC – “Dublin City Sky”. Um lirismo tão gráfico que parece que estás a beber uma pint de Guinness, num pub de Dublin. Poesia que mistura os velhos tópicos com reivindicações punk, capitalismo, gentrificação… Na minha opinião a banda de 2019.
(António Nobre – Nobita): Frankie Chavez – “Dreams of a Rebel”. Dá-me pica para sair da cama e lutar por aquilo em que acredito, seja na música ou na vida em geral. “Solid as dreams of a rebel, we’ll always find our way.”

6. 5 músicas de novas bandas que não paras de ouvir e que nós devemos ter em atenção?

(Dani Oliveira): 5 bandas incríveis que têm invadido as minhas playlists no spotify:
Omni – “Sunset Preacher”
Dry Cleaning – “Magic of Meghan”
Working Men’s Club – “Suburban Heights”
Automatic – “Too Much Money” 
FEET – “Petty Thieving”

(António Nobre – Nobita):
Fontaines DC – “Television Screens”. Fala-se muito de Fontaines, mas pouco desta música. Tem uma letra demasiado actual para não falarmos dela. Perfeição no jogo de guitarras.
Cosmo Pyke – “Chronic Sunshine”. Um som com uma vibe incrível e um rapaz muito jovem, já a dar cartas. Esta música já é de 2017 mas vêm coisas grandes para breve. Só pela música já rendia irem ouvir, com um videoclipe daqueles então…
Angie McMahon – “Slow Mover”. Esta miúda faz-me lembrar os primórdios da Florence e, com tudo o de bom que está a sair da Austrália, acho que vem aí mais um vozeirão.
FEWS – “More Than Ever”. Um single do álbum deles de 2019, Into Red. Acho que vamos ouvir falar muito deles brevemente. Rock bom e bem produzido.
El Señor – “Suburbs of Joy”. Lançaram um álbum com o mesmo nome e este é um dos singles. Pessoalmente é o meu preferido, se bem que depois de os ter ido ver ao vivo e ver toda a gente a cantar o “This City” já fiquei na dúvida. Tocaram connosco na nossa última vinda a Lisboa e são os maiores bacanos!