Já há muito que uma banda não nos captava tanto a atenção. No entanto, não nos vamos alargar muito no walk-through pelo álbum. Sem dúvida que ia estragar muitas boas surpresas a quem realmente o quer ouvir e apreciar. Para quem não conhece os Too Many Suns, eles são de Lisboa e têm sensivelmente um ano de vida. Um ano, mas um ano repleto de muito trabalho e dedicação, para juntar num álbum tanta variedade sonora como neste. Não nos queremos alargar em demasia, mas temos de mencionar a maneira como eles se descrevem e com a qual concordamos: “we play dirty pop and lovely rock”!

“Garden”: O mote está laçado. É bom ouvir uma banda com esta sonoridade, nos dias que correm. Para além disso, a música é construída de maneira cuidadosa, sabendo onde ir buscar os diferentes hooks que uma canção deste género pede. Ao mesmo tempo, percebemos que a voz e sua métrica são o motor de “Garden”. E se a voz vai fluindo, a banda assim o faz, também.

“South”: Folk, surf rock, uma pitada de psicadelismo nas teclas, com um ritmo bem-disposto que nos engrena nesta roda dentada que é “South”. “Feel the wind on your skin”… “Makes you calm”… Sim, é o calor do Sul. Ou não? Será outro tipo de calor? Decidam vocês quando ouvirem a letra! Esta é sem dúvida uma das que mais atenção nos captou, pela elegância e simplicidade da mesma. Às vezes, as mais simples de estrutura são as que maior espaço ocupam nas nossas cabeças.

“Holy Grass”: Descemos de tempo com “Holy Grass”, como se “sagrada erva” fumássemos. Fumamos desta e deixamos os acordes melancólicos tratarem de nós. Cada vez mais alto, ouvimos os desabafos conscientes da voz, enquanto a música nos carrega sem que nos apercebamos. Quando já estamos confortáveis, aí vêm os deelays, os echos, os reverbs e os chorus. Não queremos dizer muita coisa para não vos estragar a surpresa, vão ouvir, vale a pena!

“Mr Fibbles”: Bem, estamos a ser constantemente transportados para uma era diferente. A diversidade sonora definitivamente marca este álbum. Esta é só uma das cinco incríveis. “Mr. Fibbles” é como um respirar de alívio. Direta, com atitude punk e uma letra simples, que nos mostra as boas influências vincadas desta banda.

“Trainwreck”: Velocidade, distorção, fuzz, parece estar tudo fora de tom, mas não, está tudo bem encaminhado como um comboio que vem na nossa direção, preenchendo tempo e espaço. Uma voz e métrica que nos levam até aos anos 90 do grunge e do garage puro e cru. Isto são os primeiros 25 segundos da canção. Uma boa quebra surge na música e faz-nos descer à terra. Mas não por muito tempo, pois o comboio volta. Não querendo comparar artistas, nota-se a influência que a música dos anos 90 e inícios de 2000 teve nesta banda. E que bom que é ouvi-la!

Tiago Coelho