Nigga Fox, ou Rogério Brandão, apresenta o seu álbum “Cartas Na Manga” o mais recente, e quinto, na sua lista de lançamentos. O álbum saiu a 5 de outubro do ano passado.

A música de Nigga Fox, segundo a sua página oficial é uma fusão de Kuduro com ritmos como a Morna, o House ou até o Drum & Bass. É ideal para dançarmos e mexermo-nos. Cartas na Manga é o seu primeiro álbum de longa duração e conta com nove faixas, todas elas com o seu toque de afro-dançavel. Este é um disco maduro, comparado com os seus trabalhos anteriores.

“Quebas” é a primeira, é uma música introdutória com menos de um minuto. O instrumento de sopro que se ouve marca o início deste álbum. Ao ouvir “Quebas” quase que conseguimos imaginar alguém, neste caso o DJ, a voltar ao sítio onde pertence, a discografia Príncipe, onde já lançou três EPs.

“Sub Zero” começa e com ela vem um toque sombrio, como se estivéssemos na cave de uma discoteca de Techno, mas sempre com aquela percussão africana, que acrescenta à música mais ritmo e nos dá mais vontade de mexer o corpo. O corpo da música é parecido a muitas músicas de Techno, uma melodia que vai progredindo ao longo dos seis minutos, nunca mudando muito, com umas vozes lá pelo meio que mostram alguma diferença. A presença de vozes, é algo comum nas produções de Nigga Fox, mas sempre de forma subtil, sem serem muito saturadas. No mesmo repertório desta música temos “Água Morna”.

“Nhama” já diverge um pouco do percurso criado por “Sub Zero”. Esta é uma faixa mais alegre, mais mexida, com vários sons diferentes que fazem com que a faixa tenha detalhes e mais melodias que se acrescentam à parte principal. Este trabalho certamente vai influenciar o afro-eletrónico underground de Lisboa.

“Faz A Minha” inicia-se com um som parecido a um berimbau de boca, e um toque de House. Um piano é ouvido no breakdown, e mais tarde cria uma melodia que se torna na parte principal da música. Esta faixa conta com muitas melodias diferentes, no entanto, nunca sentimos que algo está a mais, todas elas funcionam em perfeita harmonia.

Por último, mas não menos importante, temos “5 Violinos”, que começa com uma melodia e uma voz pitched down que diz “Nigga Fox na maior”. Embora a música transmita melancolia, talvez por ter parecenças com o antigo rap português, a presença dessa frase deixa-nos alegres. É o perfeito fim para este álbum.

Ao ouvirmos as nove faixas de “Cartas na Manga” claramente reconhecemos as influências africanas, visto que o DJ é natural de Luanda, mas este disco tem também um toque de Techno, Psicadélico, Ghetto e House. As produções de Nigga Fox são aclamadas por uma mistura de estranheza abstrata, mas ao mesmo tempo, que criam impacto nas dancefloors de todo o mundo. O álbum está a terminar e com isso as cartas de Nigga Fox já foram lançadas.

Nota: 6.5/10

Rita Velha