Os Tame Impala estão de volta com novos artifícios, mais pop e sem medo de arriscar com o seu novo álbum “The Slow Rush”. Desde do lançamento de “Currents” em 2015 a banda de Kevin Parker não tem estado parada. Um dos seus primeiros concertos após o lançamento de “Currents” foi em Paredes de Coura e assumiam-se já como cabeças de cartaz, estatuto que foi reforçado nos últimos anos. Além desta subida de divisão Kevin Parker foi fazendo novos amigos, principalmente nos EUA, onde colaborou com diversos artistas e aproveitou o sol californiano para trazer alguma inspiração para as suas novas músicas.

O psicadelismo que caracteriza a banda australiana desde do início foi ganhando novas formas e foi movendo-se para outros géneros. Não é estranho ouvir este álbum e sentirmos que estamos a ouvir algo mais pop, mais dreamy e mais leve. Se compararmos estas sonoridades com aquelas que estão presente no “Lonerism” por exemplo, podemos afirmar que estão terrenos opostos. Contudo a sonoridade que caracteriza os Tame Impala continua presente e não deixa de existir um fio condutor com aquilo que foi criado anteriormente.

O pai de Parker foi uma das suas maiores influências, principalmente durante a sua juventude. Este por exemplo deu a conhecer a ao jovem Kevin bandas como os Supertramp, que têm neste álbum um peso importante. A banda inglesa virada para o art rock não tinha complexos na sua veia experimental conjugada sempre com um lado orelhudo. É isso que acontece neste novo capítulo.

Quando ouvimos a primeira canção, “One More Year”, há uma espécie de coro gregoriano que vai dizendo, “one more year”, de forma arrastada e com reverb, mas depois aparecem ritmos próprios para uma pista de dança. Mesmo numa música como em “Glimmer”, deparamo-nos com um pequeno retalho, um excerto, que não tem força das outras canções, mas serve para construir o álbum e dar-lhe personalidade. Isso também já tinha acontecido em “Currents” com as músicas “Disciples”, “Nangs” ou “Gossip”. São curtas experiências, mas que dão vida e é algo que Kevin Parker não abdica.

Os singles que foram lançados antes de sair o “The Slow Rush” foram tendo reações diversas. Nenhuma dessas canções teve tanto impacto como as músicas do álbum anterior. Houve inclusive uma das canções que foi editada e que não chegou ao álbum,”Patience”. Mas há dois temas que destacam, “Borderline” e “It Might be Time”. São duas músicas onde prevalece o som dos teclados, onde as melodias ganham peso e conseguimos ouvir o ADN da banda.

Este vai ser o álbum do projecto de Kevin Parker que vai dividir mais os fãs. Vai ser um álbum que não vai ganhar um peso imediato na sua discografia e que provavelmente só daqui a uns anos é que vai ser valorizado pelos riscos que cometeu. Também vai ser preciso ouvir mais vezes por entender todas as referências. Se em “Currents” houve quem não tivesse gostado o rumo que a banda australiana foi explorando, então aqui com certeza vai deixar alguns seguidores desiludidos.

“The Slow Rush” é um álbum sólido, já sem as sonoridades que fizeram os Tame Impala chegar ao patamar que estão hoje, mas com influências que podem levar a banda por caminhos ainda mais ambiciosos. Os Tame Impala deixaram de ser uma banda de nicho para passar a ser uma banda de estádio, isso comporta outras responsabilidades, outro olhar sobre a música que fazem e outra exigência. Seja a fazer rock ou pop, esperemos que Kevin Parker continue a fazer canções que nos levem a outros mundos.

Nota: 8.0/10

Rodrigo Toledo