Pedro tornou-se um dos principais artistas no movimento musical que é conhecido como a “Nova Lisboa”. O seu mais recente trabalho chama-se “Da Linha”, conta com dez músicas e saiu no dia 20 de março pela editora Enchufada. Este é um trabalho mostra uma faceta multicultural de Pedro e das suas influências vividas na Damaia (Linha de Sintra), daí saiu o nome escolhido para o seu álbum de estreia.

Pedro também já colaborou com Branko, DJ e produtor português e membro dos Buraka Som Sistema. Dessa amizade surgiu “MPTS”, uma música que gerou  buzz e chegou até à banda sonora do jogo PES 2020.

Este primeiro álbum de Pedro nasce também por influência da forte amizade com Branko. A primeira faixa deste trabalho é “Rapazes” e rapidamente conseguimos perceber que uma das grandes inspirações surge do universo dos Buraka Som Sistema. Com uma melodia africana dançável começamos esta viagem pela linha de Pedro.

Quando “Calores” começa, notamos que este álbum não vai ter só melodias africanas, mas também influências electrónicas. Ouvimos uma espécie de sintetizador melódico, que quase nos lembra um robô a cantar suavemente enquanto caminha para a pista de dança para dançar os ritmos orientais que estão presentes no drop.

A quarta música do álbum, “Pusha”, que conta com a colaboração de Kelman Duran, começa com um instrumento de sopro que acrescenta, imediatamente, algo novo às melodias africanas. Esta música transporta-nos para um clube na Jamaica, numa tarde quente com muitas bebidas frescas à mistura. “Toques”, com DKVPZ, é outro exemplo da versatilidade do produtor, onde um instrumento de sopro muda a forma como estamos habituados a ouvir uma melodia, que por ter mais para além da melodia base se torna mais fácil de se destacar, o que a torna mais memorável.

“Terra Treme” conta com a voz de Pedro Mafama e rápido encontramos algumas semelhanças com os trabalhos mais antigos de Pedro, tal como percebemos a influência do rap português. Este álbum é uma apresentação perfeita do trabalho de Pedro ao mundo, que conta com diversas influências, desde electrónicas, a orientais. Com “Madrugada” somos apresentados a um lado mais “club-y” do produtor. Este é uma faceto que podia estar mais presente no álbum, já que Pedro consegue combinar o lado club com o oriental tão bem.

A última música do álbum é “Para Ti” e traz-nos outra surpresa. Influências espanholas, que nos são dadas graças à voz de Xcelencia. Aqui Pedro pegou em algo que pode ser considerado “mainstream” e, ao dar-lhe os seus toques próprios, transformou esta música em algo diferente e nada parecido àquilo que estamos habituados a ouvir quando somos apresentados a vozes espanholas.

Com “Da Linha” conseguimos perceber que Pedro está no caminho certo da sua produção, é um álbum que conseguimos ouvir bem em qualquer situação. É uma música que não cansa, mesmo que tenha algumas repetições ao longo das dez músicas.

Nota: 6.5/10

Rita Velha