Filipe Sambado – Revezo

Dois mil e vinte será conhecido como o ano da pandemia e da quarentena, mas em termos musicais a nível nacional também vai ser relembrado certamente pelo terceiro longa-duração de Filipe Sambado, “Revezo”, premonitoriamente um disco com uma temática caseira, lar doce lar, editado meses antes de sermos confinados às nossas habitações. Uma amálgama de canções maiores, num excelente folclore popular pós-moderno.

Vaiapraia – 100% Carisma

Vão-se as Rainhas do Baile e ficou Vaiapraia. “100% Carisma” é um disco com muitos temas mas nem por isso é menos conciso. Produzido por Adriano Cintra, nele Rodrigo Vaiapraia assume-se como figura de proa do indie pop rock feito por cá, provavelmente a persona da sua geração com mais carisma. Desde a temática das letras à composição das canções tudo se junta para se escutar uma obra bastante sólida e autêntica. Cautela!

Conjunto Cuca Monga – Cuca Vida

O que fazem cerca de vinte amigos músicos durante a quarentena? Um disco. É isso mesmo que podemos ouvir em “Cuca Vida”, o primeiro disco (e único?) do denominado Conjunto Cuca Monga, casa-editora de bandas grandes do tempo actual da pop moderna portuguesa. O resultado é um disco que é uma agradável e saudável loucura, uma mistura de linguagens sonoras e letras em dialecto próprio entre amigos a sério com boas ideias a mais.

Vila Martel – Nunca Mais É Sábado

Uma banda e disco novos, com uma linguagem já testada, uma consistência que não parece ser a de uma banda tão jovem. Quem são os Vila Martel? Vão ouvi-los para os conhecer. Banda lisboeta que se assume como referência do Indie Rock cantado em português. A fasquia elevada com que colocam as expectativas podiam ser frustradas mas felizmente não é isso que acontece. Bom disco de estreia de uma banda de quem se espera ainda mais.

Nídia – Não Fales Nela Que A Mentes

Nídia edita na Príncipe Discos, casa de música de dança real e 100% contemporânea feita em Lisboa e subúrbios. “Não Fales Nela Que A Mentes” é o segundo álbum de Nídia, pelo meio de outros EPs, e tem malhas adictivas de batidas infecciosas. Talvez por isso Nídia seja dos nomes mais requisitados da editora a nível internacional. Estamos na presença de uma produtora com aquela destreza própria e talhada para criar bangers.

Emanuel de Andrade