As Ass:Salto voltaram ao Baixaria na segunda quinta-feira de Março. Desta vez o convidado foi Peixe (Pedro Cardoso) depois de na edição anterior ter estado Miguel Araújo. Com uma casa bem composta, tudo apontava para mais uma noite agradável no bar do Porto.

O mote é sempre o mesmo – uma conversa descontraída entre os Salto e um convidado, com espaço para música e para momentos menos comuns como o “Pop Quizz”, “Momento do Baú”, “Música da minha vida” e também “Situações completamente hipotéticas com resposta musical”. Importante dizer que desta vez a Ass:Salto não se dividiu em entrevista e depois concerto mas foi conduzida de forma a ter o concerto diluído na entrevista e vice-versa. Pareceu-nos uma maneira mais interessante de tudo acontecer.

Sempre num tom descontraído a conversa foi fluindo entre perguntas sobre o seu percurso, sobre as suas bandas e projectos e sobre o seu futuro. Não poderia faltar o  “Pop Quizz” com perguntas como “Qual é a capital do Botswana? – à qual nem o músico nem ninguém do público soube responder e só os entrevistadores sabiam que era Gaborone. Ainda na mesma rubrica houve espaço para perguntas como “Beatles ou Stones?”, onde os primeiros levaram o troféu.

No meio de toda esta conversa foram-se intercalando músicas do seu novo álbum como, “Apneia”, “Walking”, “Escape” e “Pêndulo”, entre outras tantas. Os momentos musicais não estavam reservados só para as malhas do último registo e tivemos o privilégio, no momento “A música da minha vida”, de ouvir uma versão dos “Verdes Anos” de Carlos Paredes, um músico que sempre o entusiasmou pela sua postura e pela sua composição. Nesta edição houve uma novidade, um momento musical conjunto de Peixe com os Salto, que nos trouxeram duas versões de dois compositores portugueses, “Lisboa que amanhece” de Sérgio Godinho e “FMI” de José Mário Branco,  proporcionando assim um momento de partilha musical único e talvez irrepetível.

Como o tempo não era um problema, houve ainda espaço para o momento “Situações completamente hipotéticas com resposta musical” com perguntas como “Estás num casamento cigano e vai começar o bailarico, o que tocas para animar a festa?” – e o guitarrista portuense respondeu com um improviso de Jazz a fazer lembrar Django Reinhardt – ou ainda a pergunta “Estás num elevador. Há uma avaria e o elevador pára. Estão 5 pessoas num elevador para 4 e o ambiente está algo tenso. O calor aperta e ambiente pesa ainda mais. As pessoas estão coladas umas às outras mas há espaço para ti e para a tua guitarra. Que música é tocas para desanuviar o ambiente?” – e tocou o clássico do jazz “Moon River”.

No final houve ainda disponibilidade para perguntas do público e, entre várias bastante interessantes, destacou-se uma sobre a origem do riff da música “Chaga” que proporcionou um belo encore, em que toda a sala cantou de pulmões abertos a mítica música dos Ornatos Violeta. Um momento sem dúvida muito forte.

De destacar também nesta segunda edição, a proximidade entre o público e o convidado ser ainda maior. Parecíamos mesmo ter sido convidados para ir a casa de um amigo e que “por acaso” um dos convidados era o Peixe, que trazia às costas a guitarra e hipnotizava-nos sempre que começava a tocar. Fez-nos sem dúvida viajar a um universo que ele mesmo criou com o álbum Apneia e isso é algo único.  Venha a terceira edição e a capacidade de sermos novamente surpreendidos por todos os factores que tornam esta noite tão interessante.

Próxima edição dia 11 de Abril com convidado a anunciar brevemente!

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Texto – Nuno Álvaro

Fotografias – Ctrl + N | Produções