A noite de Sábado no Musicbox começou com um burburinho generalizado de quem sabia que o momento mais esperado desta ainda estava por chegar. Os ânimos foram amainados pela presença em palco de Coclea, projecto a solo de Guilherme Gonçalves (ex-Gala Drop), que inaugurou a noite. Foi com um público em todo semelhante ao do Vodafone Mexefest, numa sala extremamente bem composta, que Tatu Rönkkö + Efterklang tocaram os primeiros acordes, acabando de vez com o burburinho e dando lugar à hipnose generalizada.

Muitas vozes se levantaram quando, no início deste ano, os Efterklang anunciaram “The Last Concert“, temendo o fim de uma das bandas mais activas na exploração da vanguarda musical dos nossos dias. Afinal de contas, este fenomenal ‘último concerto’, com filmografia de Vincent Moon, abria apenas as portas para um novo capítulo em colaboração com o percussionista experimental Tatu Rönkkö, protagonista de projectos tão especiais e peculiares como “I Play Your Kitchen“.

Tatu Rönkkö + Efterklang = Liima, em concerto

Os dinamarqueses Efterklang parecem ter sempre uma razão, um sentido, por detrás de tudo aquilo em que se envolvem, o que provavelmente alimenta em parte o romance que mantêm com os seus fãs mais acérrimos. O concerto de Sábado iniciou-se com as palavras “Tatu Rönkkö + Efterklang” em pano de fundo, num palco preenchido por um agora quarteto que em nenhum momento da noite teve receio de nos mostrar que estavam ali numa missão − apresentar-nos o novo projecto, a nova sonoridade, os Liima. Foi Katinka, o vocalista cheio de personalidade que assegurou todas as interacções com o público, que nos convidou a entrar numa viagem de barco com o grupo, enquanto ondas se ouviam e o pano de fundo acompanhava em imagens. Se Efterklang é dinamarquês para recordação, Liima é finlandês (origem de Tatu) para cola, que Katinka nos explicou ser a ligação entre os elementos do grupo.

Este concerto dos Liima, no Musicbox, foi definitivamente um passo em frente. A nova sonoridade, talvez excessivamente experimental a tempos, pode ainda parecer não totalmente natural. Ainda assim, a confiança, a vontade, o génio que temos reconhecido neste grupo ao longo dos últimos anos, parece-me dar margem para que esta viagem de barco chegue a bom porto e tenhamos um belíssimo álbum no próximo álbum para nos acompanhar. O público pareceu-me corresponder e Katinka terminou o concerto agradecendo isso mesmo. Foi diferente, mas foi muito especial.

Texto: Andreia Duarte
Fotografia: Lúcio Roque