Portugal é um país privilegiado: no espaço de um ano, receberá ao todo quatro concertos com Nicholas James Murphy ao centro, o australiano mais conhecido pelo alter-ego Chet Faker. A Punch Magazine esteve presente no esgotadíssimo concerto da passada sexta-feira, uma noite que aqueceu (e transpirou) todos os presentes.

Era com grande expectativa que o público lisboeta, que há meses esgotara duas datas consecutivas no Coliseu dos Recreios, aguardava o segundo concerto de Chet Faker por terras lusas. O australiano que, em nome próprio, apenas editou o EP Thinking in Textures e o longa-duração Built On Glass, é já um fenómeno de culto que sexta-feira se confirmou mais uma vez.

O  concerto começou morno, com duas músicas em que a voz de Chet Faker esteve ausente e o músico transformou o coliseu numa pista de dança, acompanhado apenas por um músico na bateria e outro no baixo. É claro o à vontade com que o músico assume a sua vertente de dj, ginga o corpo e dança com os pés, de forma sedutora, enquanto comanda a parafernália de instrumentos que tem à sua frente. Assim, foi apenas à terceira música, “Melt”, que a voz algo rouca mas encorpada de Chet nos chegou aos ouvidos, imediatamente acompanhada por um coro generalizado por todo o Coliseu, que se estendeu um pouco por todo o espectáculo. Sem grande surpresa, o público trazia a sua lição bem estudada.

A emoção com que o público recebia as músicas de Chet Faker era visível, não sendo raros os olhos fechados e os movimentos acertados. Ainda assim, esta atingiu um pico quando Nicholas se  dirigiu à primeira fila para um pedido muito especial, que uma fã emocionada traduziu para português: “Mantenham, só por esta canção, os telemóveis e câmaras em baixo”. O pedido foi aceite  e (quase) todas as luzes vermelhas, das câmaras, e leds brancos, dos telemóveis, se apagaram, sendo mesmo alguns substituídos por isqueiros  melosamente agitados ao som de “No Diggity”.

Com uma discografia pouco extensa, nenhum dos êxitos como “Release Your Problems”, “To Me” ou “Gold” ficou esquecido, havendo ainda espaço para uma versão de “Moon dance” (original de Van Morrison), para “Drop the Game”, do seu EP colaborativo com Flume, e para que o baterista e o baixista pudessem brilhar a solo.

A música mais esperada da noite ficou para último, já sem músicos extra, apenas com um órgão até então (falsamente) esquecido no topo-centro do palco. “Talk is Cheap” chegou sussurrada, numa muito celebrada versão acústica que levou os fãs ao êxtase.

No Optimus Alive há mais.

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Texto: Andreia Duarte
Fotografia: Joana Viana