PunchLine é a nova rubrica da Punch na qual vamos abordar artistas em ascensão, assim como alguns nomes de peso da música portuguesa. Para esta estreia falámos com as portuguesas Golden Slumbers, aposta nossa em 2015, que recentemente lançaram o seu disco de estreia The New Messiah pela NOS Discos. Sentámo-nos com a banda num pub no Cais do Sodré para uma conversa descontraída sobre as suas origens, influências assim como o que esperar do concerto de apresentação no dia 26 de Fevereiro na Casa de Independente.

1. Como surgiu o projecto das Golden Slumbers
(Margarida): Nós somos irmãs, conhecemo-nos há bastante tempo [risos]. Em casa tocávamos guitarra e cantávamos todas, nós aliás somos 3 irmãs do lado da nossa mãe… Desde sempre nos ensinaram a tocar instrumentos e a explorar o lado musical. Quando começamos a ter gostos em comum, quando eu tinha mais ou menos 15 anos e a Catarina 18, começámos a fazer coisas juntas.  Passados sensivelmente dois anos começámos a compor juntas e decidimos gravar só para experimentar. E depois correu bem. Foi quando surgiu o nosso primeiro tema, “My Love Is Drunk”.

2. E o nome Golden Slumbers, é alguma homage aos Beatles?
(Catarina): É um bocado difícil arranjar um bom nome que represente a banda sempre. No início tivemos duas opções. A primeira era Cleo and The Conquerors, que é horrível e graças a Deus que não ficou! Golden Slumbers, surgiu na altura em que eu andava a ouvir Beatles e comecei a gostar imenso do tema. Perguntei à Margarida se achava bem o nome, e assim ficou.

 3. Quais as vossas maiores influências musicais
(Catarina): As nossas maiores influências são Laura Marling, Simon & Garfunkel, Kings of Convenience, The Staves, Fleet Foxes…

 4. Como é que acham que vai ser agora a abordagem do público? Quando lançaram o EP, If I Found a Key, eram calmas e mais resguardadas, mas agora com o novo single “New Messiah” estão a dar uma faceta mais alegre e a puxar mais pelas pessoas…
(Catarina): Temos uma produção mais elaborada, portanto as músicas vão ter mais intensidade mesmo que sejam melancólicas e tristes. O disco é mais intenso do que o nosso EP e de facto não são músicas muito felizes.

(Margarida): Depende da perspectiva… Eu não diria que são músicas muito felizes. Aliás é melhor não antecipar isso.

5. Quando digo música mais feliz, nem é tanto pela letra que só por si tem um maior poder, mas mais pela melodia. A forma como vocês conseguem agarrar as pessoas, porque hoje em dia na verdade quando ouvimos uma música esta pode ser triste, mas com uma guitarra por trás…
(Catarina): Acho que temos algumas músicas que fazem sentido com essa afirmação, mas temos outras que não. Algumas são melancólicas e deixam os ouvintes mais em baixo…

(Margarida): Em geral, o álbum puxa mais pelas pessoas. Como já referimos anteriormente, o disco tem uma maior produção, portanto vamos ter grandes momentos de climax intercalados com momentos mais calmos que vão conseguir enaltecer qualquer pessoa.

 6. A escolha do single, foi logo imediato ou havia outras hipóteses?
(Margarida): Havia outra hipótese, que se calhar vai ser o nosso próximo single. Mas esta era sem dúvida a música mais indicada para apresentar esta nossa nova fase, e também porque dava o nome ao álbum.

(Catarina): Não foi intencional, talvez seja a música mais animada e um bocado diferente do álbum, em termos de produção. Tem guitarra elétrica que nós não usávamos…  Mas a verdade é que também faz sentido. O nosso primeiro single foi o “My Love Is Drunk” e agora é o “New Messiah”, os dois falam sobre o tema do alcoolismo, portanto há uma certa ligação.

7.Como é que surgiu a oportunidade de gravar com o Benjamim.
(Margarida):
O nosso manager falou com ele há um ano e tal. Perguntamos-lhe se ele estaria interessado em produzir o nosso álbum e a resposta foi positiva.

8- Pelos vosso teaser vocês gostaram mesmo da experiência de gravar em Alvito. Em que sentido é que o Benjamim vos ajudou no vosso álbum
(Margarida):
Nós não conhecíamos o Luís muito bem, mas demo-nos muito bem nessas semanas. Mas de facto ele teve um papel importante. Ajudou-nos a completar as nossas canções com a sua visão, e ajudou-nos a torna-las mais interessantes com a sua produção.

(Catarina): Ajudou-nos a materializar as ideias que tínhamos. O nosso processo criativo começou obviamente em Lisboa, uns meses antes de irmos para Alvito. Já tínhamos algumas canções feitas, mas quando começámos as gravações a maior parte delas levou alterações, umas mais que as outras. Especialmente na parte dos arranjos onde o Luís como produtor teve muita influência e ajudou-nos a descobrir uma nova sonoridade.

9. Em 2015 qual foi o concerto em que vocês mais gostaram de tocar?
(Golden Slumbers):
D’Bandada!

(Catarina): Estávamos a tocar num sítio pequenino, mas senti que as pessoas estavam lá mesmo porque queriam e sabiam quem nós éramos. Sabiam as letras das nossas músicas todas, mesmo até aquelas que não eram as principais… Como o caso da “Love” que só tínhamos tocados alguma vezes e que está agora no álbum.

(Margarida): Foi um ambiente muito familiar e o facto de ser um espaço pequeno tornou o concerto muito mais cosy.

10. Quais as vossas expectativas para o concerto de apresentação do álbum
(Margarida):
 Acima de tudo que corra bem! Que esteja cheio ou quase cheio, e que o público receba bem as músicas ao vivo. No geral que seja uma noite divertida.

11. Quais as vossas expectativas para 2016?
(Margarida):
 Vai ser numa nova fase, em que vamos ter vários concertos em vários pontos do país para mostrar às pessoas como é que somos agora. Mas sinceramente queria o álbum tivesse alguma atenção.

(Catarina): Tocar mais e apresentar este novo álbum. Acho que o nosso espetáculo vai crescer um bocado mais. Eu gostava de deixar de ser associada às duas meninas com a guitarra acústica que fazem música engraçadas, porque sinceramente acho que já ultrapassamos isso há bastante tempo, e as pessoas nem sempre compreendem… Mas acima de tudo que as pessoas ouçam a nossa música de uma forma diferente.

Lúcio Roque