Para a maioria das pessoas, o segundo álbum dos The Last Shadow Puppets era inevitável. Bastava deixar correr o tempo necessário para amadurecer ideias e procedimentos. Finalmente, Everything You’ve Come to Expect traz-nos algumas reinvenções mas, acima de tudo, satisfaz plenamente as nossas expectativas.

Muita coisa mudou desde The Age of Understatement. Alex Turner trocou Sheffield pela cena do rock n’roll californiano e Miles Kane esforçou-se por construir uma reputação própria no seio do indie rock britânico. Além disso, depois da astronómica ascensão dos Arctic Monkeys, existiam muitas dúvidas quanto à vontade de Turner em regressar a este projeto. Ainda assim as enormes expectativas criadas pelos fãs mostraram-se suficientes para suscitar até a curiosidade dos próprios Puppets.

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Como “em equipa que ganha, não se mexe”, o segundo longa-duração volta a contar com a produção de James Ford e com Owen Pallet novamente responsável por abrilhantar este trabalho com a sua singular competência no fabrico de arranjos. Com todos os ingredientes certos à disposição, os TLSP surgem como esperávamos, mas com mais que isso: mais sabidos e com boas adições ao seu próprio estilo.

“Aviation” serve de ponte para o registo anterior, mas é durante a escuta de “Dracula Teeth” que se torna claro que os Puppets se reuniram pelas melhores razões. Esta é uma composição mais cinematográfica, concedida pelos arranjos esvoaçantes de Owen Pallet que dão ainda mais destaque ao timbre desdenhoso do frontman dos Arctic Monkeys e à sua notável evolução enquanto letrista.

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Este é um registo mais expansivo que dispara baladas de soft-rock pintadas pelas contribuições de Pallett, compondo uma estética coleção de músicas. “Everything You’ve Come to Expect” é exemplo de uma malha melodiosa cruzada por acordes de violino e por persuasivos jogos de palavras, tudo com a agradável moleza de uma tarde de verão.

A mais-que-merecida fanfarronice de Alex Turner torna-o o epicentro de tudo o que se passa e Miles Kane aparece como o sortudo sidekick que rouba os holofotes apenas na malha mais inesperada. Em “Bad Habits”, os Puppets arreganham os dentes para nos trazer uma combinação arruaceira entre as linhas de baixo e breakbeats.

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O resto do álbum desenrola-se numa ótima coleção de baladas das quais desfrutamos progressivamente a cada nova escuta e que nos vai sabendo melhor quanto mais capazes ficamos no sing-along com Alex Turner. Embora a sonoridade de Everything You’ve Come to Expect não seja surpreendente, este é um projeto que parece valer a pena revisitar novamente daqui a mais uma década.

NOTA: 7.5/10

Pedro Monteiro