O álbum de estreia dos Ditch Days é uma mistura rica entre estilos indie e dream pop, como um exploratório guia de viagem musical a Liquid Springs, onde o sol e a primavera nos invadem por via da sua sonoridade radiosa.

Começando a ouvir o álbum de estreia dos Ditch Days somos imediatamente transportados para a solarenga cidade primaveril de Liquid Springs, por onde vamos sendo guiados, que nem uns turistas num tuktuk, por esta banda sonora envolvente. Este disco é uma mistura rica entre os estilos indie e dream pop que caracterizam a banda, com a sua guitarra ora suja, ora cristalina, o seu baixo despreocupado e envolvente, a sua bateria condutora e os seus sintetizadores espaciais que reverberam até ao infinito da nossa imaginação. Aterramos directamente nas imediações da cidade, no meio dos seus campos e vales verdejantes, para sentir a pureza do seu ar calmo e refrescante na faixa de abertura, ao mesmo tempo que vamos sendo conduzidos em direcção ao fervilhar citadino logo na faixa seguinte. “Zowee” é uma faixa carregada de toda aquela irreverência indie com a qual a banda se identifica, com um fuzz muito mais vincado e riffs bem construídos e que nos faz sentir o burburinho vivo desta cidade.

Continuando o nosso percurso regressamos à aparente calma de “The Days Are Just Packed” com uma guitarra límpida e sintetizadores hipnotizantes, ajudados ocasionalmente por fuzzes e fades bem medidos e coros que dão um corpo extra à música. O ponto alto é mesmo o primeiro single, “Melbourne”, música sobre a qual já não há nada de novo a dizer e que tem andado a rodar constantemente nestes meses quentes de verão nos tops das rádios nacionais e parece encaixar perfeitamente nas intermináveis filas de pôr-do-sol ao regressar da praia. Seguindo viagem somos levados a uma parte mais experimentalista do percurso, com uma tímida incursão instrumental antes de chegarmos ao segundo single, “Blue Chords”, que nos dá ideia de estarmos a provar a movida deste paraíso à beira mar. “Blue Chords”, com um videoclip irreverente acabadinho de sair do forno, é uma música irresistível, com um riff claro, sujo e bem equilibrado por linhas de baixo vincadas e envolventes.

Encarregada de fechar temos uma malha carregada de energia que nos faz querer aproveitar até ao rasgar da madrugada a incrível vida noturna deste lugar, como o próprio nome indica “Countryside Nightlife”, e forma a despedida perfeita para este álbum. Quando ouvido em ambiente fechado podemos de facto descobrir todas as linhas de baixo subliminares e samples que foram magicamente espalhados aqui e ali, referências a uma cultura popular que pautou o imaginário dos membros da banda à medida que cresciam.

Com este primeiro álbum temos um cativante e exploratório guia de viagem musical criado pelos recém-chegados Ditch Days, e que nos aguça a imaginação sobre o sítio para onde nos levarão na sua próxima incursão discográfica, enquanto apresentam este ao mundo.

NOTA: 7.8/10

Pedro Barata