Listas valem o que valem, e esta é mais uma. Lançaram-nos o desafio de escolher as 10 melhores músicas de Capitão Fausto, e depois de muitas noites sem dormir a pensar na ordem, eis a esplendorosa, inigualável e absurdamente subjectiva lista das melhores músicas do quinteto Lisboeta:

10. “Tem de Ser” – Os Capitão Fausto Têm os Dias Contados
Sendo eu da geração dos Fausto, revejo-me nesta letra na medida em que temos de ter consciência plena de que já não somos putos. “Tem de Ser” fala-nos da necessidade de dar um passo em frente, de largar as amarras da vida boémia e desregrada e de sair debaixo das saias da mãe. Uma ode ao amadurecer de uma relação e à aceitação de que também nós vamos ter responsabilidades no virar da curva.

9. “Lameira” – Pesar o Sol
Sou um fã incondicional de músicas longas, quando estas contam uma história e quando estas têm momentos melódicos completamente diferentes. “Lameira” é um bom exemplo disso – uma balada lasciva, despreocupada e entregue em modo slow até 1/4, seguida de um build-up onde sabemos que os Fausto vão estar cá para o que der vier. Não contentes com a maneira como a história acaba, desatam numa cavalgada melódica de 4 minutos que enche o cérebro e percorre a espinha. Bonito.

8. “Santa Ana” – Gazela
Longe vão os tempos de Gazela, mas não tão longe assim. Quem vai a concertos dos Fausto sabe bem o quanto esta música é festejada na plateia. A maneira como as palavras são entregues pelo Tomás também denotam que há um certo carinho especial por esta malha. Se a ouvirem no dia 22, já sabem – o truque é não parar de dançar.

7. “Música Fria” – Gazela
Em modo álbum, foi esta a música que o quinteto escolheu para ponta de lança do repertório. “Música Fria” fala-nos de desamores e de partir para outra, conta-nos a história de um anónimo João, sobre uma melodia orelhuda para caramba. Era esta a malha que fazia crer que os Capitão não vinham cá apenas dar um ar da sua graça, mas vinham dar voz a toda uma geração que queria crescer (e cresceu) com eles.

6. “Flores do Mal” – Pesar o Sol
Uma das grandes músicas de Pesar o Sol, “Flores do Mal” tem uma linha melódica simples, mas brutalmente eficaz. É também um som que acho particularmente importante, na medida em que demonstra a qualidade musical dos Fausto, já que inúmeras foram as comparações aos Tame Impala. Sem nexo, mas sinal de que se os estão a comparar a Kevin Parker, é porque o caminho é em frente.

5. “Verdade” – Gazela
“A verdade é uma coisa qualquer/Faça aquilo que fizer”, abre o Wallenstein em tom displicente. Discordo em absoluto – esta “Verdade” é uma preciosidade e uma das músicas que mais potencial demonstrava em Gazela. Pujante, dançante e cantarolável (será isto um adjectivo?), é sempre um dos pontos altos em qualquer concerto.

4. “Corazón” – Os Capitão Fausto Têm os Dias Contados
Ay caramba. “Corazón” é um daqueles exemplos de música que não precisa de grande explicação – soa bem, soa diferente e fica connosco tanto quanto aquele cheirinho a alho depois de termos cortado um. Ainda hoje estou para perceber o título da música, mas na verdade, sea lo que sea, esta malha leva um grande “quase pódio”.

3. “Maneiras Más” – Pesar o Sol
O baixo desta música é uma parvoíce. O Domingos resolveu que nesta música não queria deixar mais ninguém brilhar, e trouxe-nos uma linha melódica de baixo que é incrível. Os outros ficaram picados e trouxeram também o seu A game, e criaram este som que nos faz cócegas no hipotálamo até aos 2 minutos e meio. Depois vão desaguar num mar colorido e psicadélico, tal volta de descanso a seguir a um sprint desenfreado.

2. “Amanhã Tou Melhor” - Os Capitão Fausto Têm os Dias Contados
Imagino os cinco sentados numa sala, num qualquer dia de 2015, acabados de tocar pela primeira vez uma demo do que viria a ser “Amanhã Tou Melhor”. Aquele sorriso espelhado na cara de todos, a troca de olhares cúmplice fruto de uns quantos anos de crescimento conjunto e de uma infância toda ela partilhada, e a noção clara do que tinham acabado de conseguir: um dos hinos do ano de 2016, e uma das melhores músicas (discutivelmente, a melhor) que já fizeram.

1. “Supernova” – Gazela
Aquela mija matinal; aquela coca-cola com imenso gelo; aquele Big Mac às 4 da manhã. Quando os primeiros riffs da “Supernova” ecoam, é este o tipo de felicidade que atravessa o meu ser, e a julgar pela entrega com que o Tomás canta esta música, estou alinhado com a banda. É o momento de confraternização Faustina, em que toda a gente salta – os da geração, os da geração anterior e os da geração seguinte. A plenos pulmões, e com os olhos brilhantes daquela lágrima de felicidade por finalmente estarmos a ouvir esta, soltamos o mote “Tentas-me acordar com uma história que me faz adormecer” e seguimos conforme a emoção nos deixa. Aguenta Corazón!

João Pacheco