Manuel Cruz é “O” elemento comum dos Ornatos Violeta, Foge Foge Bandido e Super Nada. Mas, na verdade, é também um enorme artista em nome próprio, como o soberbo concerto no Paredes de Coura deste Verão veio confirmar. Numa espécie de antevisão do concerto no Vodafone Mexefest, a Punch esteve à conversa com este camaleão.

1 – Durante todos estes anos, a música esteve sempre presente. Qual foi a razão pela qual embarcaste no mundo da música?
Eu acho que a principal razão foram os amigos, a convivência com os amigos que tornava tudo isto especial. Não fazia a mínima intenção que ia ter uma carreira musical, não fazia mesmo a mínima ideia.

2 – Alguma vez sentiste algum obstáculo durante a tua carreira?
Imensos.  A vida é feita de obstáculos; objetivos e obstáculos, de problemas e formas de os resolver. Não sei se os chamaria de obstáculos. Mas acho que é impossível viver uma vida sem eles.

3 – Quais as tuas maiores influências musicais neste novo projeto?
Eu acho que é difícil dizer quais é que são as nossas influências, porque apesar de elas existirem, são tantas, e são tão amplas que transcendem inclusive o contexto musical.Ou seja, o que nos influencia é estarmos vivos, acho que não há uma influência direta da música, nós somos inspirados por qualquer coisa que nos rodeia. Acho que nunca é possível fazer uma cópia de qualquer coisa, nós vamos ser sempre um veículo transformador do que quer que seja.

Nesse sentido acho que o que nos influencia é tudo: o que vemos, o que sentimos, as conversas que temos, o que comemos, …

4 – O que tem a dizer sobre esta viagem que teve como ponto de partida os Ornatos Violeta, e onde já fez paragens por Pluto, Super Nada e Foge Foge Bandido?
Evidente que me deu mais experiência, e sendo projetos diferentes, tenho a vertente de poder experimentar coisas diferentes, não estando vinculado a uma linguagem só. Embora eu tenha sempre a minha linguagem, quer queira quer não. Mas foi uma viagem intensiva, muito boa, que me deu a hipótese de tocar com várias pessoas, que também é muito bom. Mas pronto, a viagem ainda vai a meio.

5 – Faz quase dois meses desde a tua atuação no palco principal do Vodafone Paredes de Coura. Como é que foi pisar o palco novamente, mas desta vez a solo?
Foi muito fixe. Paredes de Coura, para mim, é em termos de festivais um dos mais fixes. E gosto muito de tocar durante o dia, gosto de tocar àquela hora. O festival tem sempre muita gente com vontade de ouvir música, um ambiente muito bom.

6 – “Ainda não acabei” marca uma nova etapa. O quê que podemos esperar para o futuro?
Para o futuro? Músicas novas, e uma vontade de pisar o palco.

7 – Alguma mensagem que queiras transmitir com este single?
A letra é um bocado um desabafo, uma vontade de ficar mais esperto, no sentido de ligar menos às coisas que não interessam, tirar mais partido das coisas, divertir-me mais, e de aproveitar o tempo, com uma consciência maior que esse tempo acaba.

8 – Quanto ao panorama da música em Portugal, não podemos ignorar que a música independente tem ganhado muita força. O que tens a dizer sobre a evolução da música portuguesa?
Eu acho que tem sido ótima. A verdade é que, ao estar mais audível, dá-me a sensação que há mais. A verdade é que eu sinto que há muita coisa a aparecer. O mercado não é um mercado que permita uma subsistência dos músicos, apesar de haver uma maior divulgação, mas isso é como as coisas são. Mesmo que haja cada vez mais música cá fora, penso que o mercado em Portugal devia ser mais autosuficiente, mas isso é uma questão muito complexa.

9 – Quais as tuas expetativas para o concerto no Vodafone Mexefest? Podemos esperar hits de projetos passados?
Não, vamos tocar essencialmente coisas novas. Ainda não temos um alinhamento para este concerto, mas temos sempre tocado coisas novas.

Texto: Márcia Barroso
Foto: Rita Carmo