Conquistaram a atenção do público quando em 2015 decidiram concorrer ao Vodafone Band Scouting, iniciativa que se propõe a apurar duas bandas para actuar no Vodafone Mexefest, da qual saíram vencedores. Dois anos depois e já com dois álbuns editados, o quarteto de Coimbra provou que o futuro do indie rock também se escreve em português. Hoje é dia de falar sobre eles.

Com Rui Pedro Martins na bateria, Bernardo Franco no baixo, Francisco Frutuoso na guitarra e Zé Maria Costa na voz (e guitarra), Lalochezia – o álbum de estreia –, surge poucos meses depois de terem ganho o concurso que lhes permitiu gravar, mais tarde, com a pontiaq. A sonoridade leva-nos imediatamente por uma viagem na qual nos cruzamos com os Artic Monkeys quando, em 2006, eles próprios se lançavam com o primeiro disco numa aventura de sucesso. Mas, se as semelhanças de timbre dos dois vocalistas são notórias, a irreverência dos Flying Cages é incontestável. Temas como “Rolling Down the Ocean” ou “Kalico” revelam a energia e adrenalina que caracteriza a banda. Por outro lado, parece-nos justo dizer que Lalochezia é de tal forma equilibrado que se torna difícil destacar faixas entre as treze que compõem o disco. Sobressai o atrevimento e a capacidade de criar um álbum honesto sem ceder a pressões e tendências com as quais não se identificam.

Em Março de 2017 os companheiros coimbrenses lançam Woolgather, que revela, desde logo, uma composição mais interessante e dinâmica. A variação de ritmos, os falsetes e as letras nostálgicas trazem ao álbum a frescura que se pedia. Woolgather começa com a energia a que os Flying Cages nos habituaram, mas num registo mais maduro e autêntico. “Well Shaved Armpit” é um inteligente cartão-de-visita, já que nos deixa, imediatamente, com vontade de voltar. “Tell me Where You Hide” é, por sua vez, a prova do experimentalismo da banda e da capacidade de compor temas que nos surpreendem no pormenor. O mesmo acontece com “New Shape” que nos confirma a suspeita de que a evolução foi tanto colectiva como individual, com o vocalista a surpreender na faixa número quatro do disco. A vontade de experimentar sonoridades diferentes vai sendo cada vez mais notória ao longo dos 13 temas. “Stereotype of Fun”, que encerra o álbum, é a confirmação da diversidade que os Flying Cages conseguiram trazer para este trabalho. Aqui num registo menos agitado mas igualmente elaborado e apelativo, o quarteto acaba como começa – com a afirmação de que voltam mais libertos, criativos e sonhadores.

Com o indie rock no sangue e Coimbra no coração, os Flying Cages transpiram uma energia altamente positiva e contagiante. Desde o Mexefest ao NOS Alive, passando pelo Fusing e várias latadas e queimas das fitas, muitos são os palcos que já lhes foram confiados e, segundo parece, em nenhum desiludiram. Uma coisa é certa: os “Cages” não vão ficar por aqui e nós queremos acompanhar os próximos voos!

Francisca de Castro Lousada