PEDRO, Dj e produtor musical, lançou o seu primeiro EP, chamado Damaia e desde então não tem parado. Em 2016 juntou-se à discográfica Enchufada, lançou Da Linha em 2017, alcançou mais de 7000 ouvintes mensais no spotify, está confirmado para o Lisboa Dance Festival ’18 e há quatro dias saiu a sua mais recente colaboração, desta vez com Branko, artista também associado à Enchufada. “MPTS”, amostra do kizomba eletrizante que se respira nos estúdios da Enchufada, será certamente, e sem estranhar, uma das músicas mais badaladas na noite da Capital. 

“Ano novo, vida nova” é algo que se poderia dizer de PEDRO, que era anteriormente conhecido como KKiNG KONG. No seu currículo constavam apenas algumas faixas na soundcloud e colaborações com artistas como Carlão, Branko ou Fred, dos Orelha Negra, mas foi em 2016 que o seu primeiro EP Damaia foi lançado, já na Enchufada, e a sua carreira em nome próprio começou. Abrindo a pista de dança, neste EP, está a faixa que dá nome ao conjunto de  temas. “Damaia” não deixa ninguém indiferente. Graças à fusão de kuduro e kizomba com música eletrónica, fusão esta que é muito bem conseguida e, como seria de esperar, extremamente aditiva nas ancas. “Arcadas” volta a tornar visível a forte influência do kuduro na produção musical de PEDRO, principalmente pelos intensos e quentes ritmos, transportando qualquer pessoa até ao epicentro da cena afro-nacional.

De seguida, e sem desacelerar, chega-nos “No mussulo”, que graças a uma forte batida, acompanhada de jambés e outros sons que demonstram, e muito bem, a variedade de que PEDRO é conhecedor e também ele ouvinte. Algumas distorções sonoras, produzidas na mesa de mistura, elevam o eletrizante kuduro do anterior KKiNK KONG. Finalizando o EP, surge “Chibaria”, música que é fortemente marcada pelos grandes crescendos, que culminam num “drop the bass” muito quente, entusiasmante e envolvente.

Em 2017, o segundo EP é lançado com o nome Da Linha, disponivel na íntegra no soundcloud, que é descrito pelo próprio como uma viagem ao berço deste, à linha de Sintra. É um conjunto de músicas que possuem samples do que punha, e põe, o bairro da Damaia a mexer, local de onde este emergente produtor musical é oriundo. De salientar o remix de “Sentah” feito por PEDRO como sendo a grande dádiva deste EP de quatro faixas. Mais recentemente, PEDRO lançou o single “Drenas”, que já alcançou a extraordinária marca de um milhão e meio de visualizações, no spotify. Este single destaca-se dos restantes trabalhos como sendo o mais complexo e o que mais acusa as raízes do kizomba na música produzida até agora por PEDRO, sendo o resultado uma junção efervescente de sons, que interpelam os nossos ouvidos e que percorrem todo o corpo de qualquer ouvinte, impossibilitando assim a imobilidade corporal.

Sendo um dos grandes talentos emergentes no contexto nacional de afro-music, PEDRO mostra-nos a sua visão bem pessoal do que é o kuduro bairrista, através de ritmos e batidas intensas. Não esquecer que PEDRO marcará presença na edição deste ano do Lisboa Dance Festival.

Duarte Barreiros
Foto: Rimas e Batidas