O segundo álbum dos Flying Cages chama-se Woolgather. Tal como no nome do álbum anterior, foram buscar uma palavra peculiar para baptizarem o seu novo trabalho. Neste caso, “woolgather” significa sonhar acordado e com algo idílico. Talvez seja esse o mote para este novo álbum. As músicas estão mais perfeitinhas, os sons mais afinados e as ideias mais concretas. Já com mais concertos e estrada, os Flying Cages trazem um fio condutor, que nos deixa agradados e faz com que a banda suba um degrau ou dois na sua música.

Desta vez percebemos que a música da banda Coimbra mudou um pouco. A rotação que tiveram, ao darem vários concertos, deu-lhes a percepção que podiam fazer mais e melhor. A qualidade deste álbum destaca-se sobretudo por ter um som mais melódico e limpo. Com este trabalho vemos que querem jogar bonito. Quem ajudou muito nesse processo foi Miguel Vilhena, da editora Pontiaq, que produziu e misturou este álbum. Por vezes as bandas precisam de alguém que lhes aponte o caminho e foi isso que Vilhena teve a astúcia de fazer. Talvez seja uma parceria que volte repetir-se.

Há muitas músicas em destaque neste trabalho. O primeiro destaque vai para “Your Friends”, uma canção cheia de força e que teve direito a ser o primeiro single com videoclipe a acompanhar. O segundo destaque e, para mim, o melhor momento do álbum é “Tell Me Where You Hide”. Com muita energia, esta canção consegue ser genuína, tem bons arranjos e mostra a criatividade dos Cages. Uma das canções mais criativas e com soluções mais improváveis é “Selfish Hand”, aqui vê-se que a banda pensou em cada música. O quarto destaque vai para “La Folie”, uma música que fala de uma rapariga que deixa os rapazes doidos, fora de si. A fechar o disco temos “Stereotype of Fun”, uma música mais triste, mas que mostra a vontade de pisar outros terrenos.

Quem for ouvir os dois álbuns de Flying Cages, percebe que há uma clara diferença e que houve uma evolução positiva, do primeiro para o segundo trabalho, não só a nível da produção, mas também na definição de por onde querem seguir musicalmente. Os Flying não quiserem fazer só um álbum melhor, mas sim saírem da sua zona de conforto. Por vezes, para evoluirmos temos desafiar-nos a nós próprios. Estes meninos não tiveram medo, arriscaram e o risco compensou.

Nota: 7.5/10

Rodrigo Castro