No seguimento do dia internacional da mulher, dia 8 de Março, a Punch teve a iniciativa de entrevistar três artistas de grande força musical: Beatriz Pessoa, Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout) e Sónia Bernardo (Bernardo). Todas estas artistas vão apresentar-se com garra no coreto do NOS Alive, este ano. Abordámo-las sobre os seus percursos, as suas conquistas e maiores orgulhos! Decidimos ainda fazer-lhes a seguinte questão: “Como é ser-se uma mulher na indústria da música?”.

Francisca Cortesão iniciou a sua carreira como artista a solo, gravando os seus originais, em casa. Gradualmente, foi-se aliando a outros artistas que se identificavam com a sua composição musical, dando origem aos Minta & The Brook Trout. Hoje, esta banda é constituída por seis membros: Francisca, Mariana Ricardo, Bruno Pernadas, Margarida Campelo e Tomás Sousa. Francisca afirma que os membros da banda não só concretizam a sua composição como a contrapõem, envergando-os por caminhos musicais nunca antes imaginados! Assim, Os Minta & The Brook Trout contam já com uma longa discografia, composta por três álbuns: Minta & the Brook Trout (2009), Olympia (2012) e Slow (2016). Mais recentemente, lançaram o seu último EP, de nome Row. Este conquistou-nos, mais uma vez, com a voz doce e suave de Francisca. Os seus temas, de uma leveza primaveril, deixam-nos sempre sonhando acordados. Queremos ser abraçados e envoltos nesta sua áurea de graciosidade, no coreto do NOS Alive!


Francisca, antes de mais, queremos que nos contes como passaste de uma artista a solo, gravando os seus originais em casa, à vocalista dos Minta & the Brook Trout! 
Foi um processo gradual. Embora agora esteja a fazer alguns concertos a solo, e com alegria, durante muitos anos tocar sozinha não era ideia que me entusiasmasse. Por isso, assim que fui encontrando pessoas que se identificassem com a música que fazia e tivessem tempo para tocar comigo, essa fase de “artista a solo” terminou. Tenho tido a sorte de contar com músicos muitíssimo inteligentes e com personalidades musicais muito vincadas, em todas as fases de Minta & The Brook Trout, e aprendo muito com todos.

Enquanto cantautora, consideras que a tua banda completa e concretiza a tua composição musical?
Completa, concretiza e contrapõe! Embora as letras e melodias sejam escritas por mim, muitas músicas de Minta & The Brook Trout já acabaram por seguir por caminhos que eu não imaginaria, graças às ideias dos outros músicos que fazem e fizeram parte da banda.

Se tivesses de definir o estilo musical da tua banda com um adjetivo, qual seria?
Nítido.

Alguma vez já compuseste em português? É-te mais natural fazê-lo em inglês ou é mais uma questão de internacionalização e exposição ao exterior?
O inglês sempre foi a minha língua automática para escrever canções, logo aos doze anos, longe de pensar em internalizações. Entretanto, já com Minta, o facto de as canções serem em inglês tem-nos permitido, aos poucos, ir construindo um percurso lá fora, sobretudo nos EUA. Mas, há pouco tempo, comecei a fazer canções em português, para serem cantadas por outras pessoas. A primeira que foi editada chama-se “Para Fora” e está no disco de estreia da Ana Bacalhau, que saiu no ano passado. E a segunda, feita a meias com o Afonso Cabral (dos You Can’t Win, Charlie Brown) foi feita para esta edição do Festival da Canção, para a voz da Joana Barra Vaz. Chama-se “Anda Estragar-me Os Planos” e é uma das finalistas!

Quão importante foi para vocês o lançamento do vosso primeiro álbum, em 2009?  Desde aí o que é que mudou e como evoluíram? 
Esse disco, homónimo, foi o primeiro em que os arranjos foram feitos em banda, e também o primeiro que produzi com a Mariana Ricardo. Foi aí que criámos a forma de trabalhar que se vai mantendo até hoje: eu escrevo as canções, trabalho-as primeiro com a Mariana e depois com o resto da banda, gravamos o mais possível com toda a gente a tocar ao mesmo tempo, e produzimos as duas os discos.

A vossa discografia já é bastante longa, contando três álbuns: Minta & the Brook Trout (2009), Olympia (2012), Slow (2016)! Ainda assim, Francisca, consegues nomear quais são as três músicas de que mais te orgulhas?  
Sem pensar muito, aqui vão três. A primeira é ainda do EP de estreia (You, 2008), “A Song To Celebrate Our Love”. Depois, “Large Amounts” (Minta & the Brook Trout, 2009) e “I Can’t Handle The Summer” (Slow, 2016).



Como fluiu o processo de criação do teu mais recente EP? E porquê dar-lhe o nome de Row
Foram três canções escritas em muito pouco tempo, a ideia foi lançar um EP no aniversário do lançamento do último disco, Slow. Chama-se Row porque gostámos da ideia de ter um título que rimasse com Slow, já que o EP é uma espécie de complemento. O José Feitor mandou uma proposta de capa, quando ainda não tínhamos o título definido, com um homem num barco a remos: ficou decidido.

Estamos extremamente ansiosos por vos ver no dia 13 de Julho no coreto do NOS Alive! O que podemos esperar do vosso concerto? Será que nos podes revelar um pouco do que tens preparado para este dia?  
A esta distância ainda muita coisa pode acontecer, mas será certamente um concerto bem condensado, do melhor que temos para tocar num contexto de festival. E, nesse dia, há pelo menos três bandas que também estou com muita vontade de ver: Eels, Yo La Tengo e Queens of The Stone Age (pela terceira vez, as primeiras duas).

No seguimento do dia da mulher, gostávamos de te fazer uma pergunta um pouco mais pessoal, Francisca. Como é ser-se uma mulher na indústria da música? 
Como já tenho dito noutras entrevistas, anseio pelo tempo em que isto deixe de ser assunto. Ou seja, como em todas as outras áreas, é importante que as pessoas sejam remuneradas da mesma forma por executarem as mesmas tarefas e que tenham as mesmas oportunidades, independentemente do género.

Picas Maria