Quebra Nuvens é o segundo álbum dos Galgo, onde partem para uma batalha épica. Na descrição do concerto de apresentação deste novo trabalho escrevem o seguinte: “Num mundo onde tudo é orgânico e natural, Galgo convive com transeuntes. Uma nuvem de origem electro-digital ameaça provocar uma tempestade que transformará todos os seres em robô-dançantes. Galgo é o único que tenta confrontar a nuvem. Ambos se envolvem numa batalha final onde o Galgo é atingido e sofre a grande transformação”. Uma introdução perfeita para perceber o que a banda de Lisboa nos quer apresentar.

Esta aventura levou a banda a enfrentar algo novo em termos musicais e sonoros. Este disco é uma exploração musical muito sintética e com muito rock de guerrilha. Os Galgo tiveram o apoio na produção dos muito experientes em lutas e catástrofes Makoto Yagyu e Fábio Jevelim, ambos membros dos Paus. Há uma clara influência da dupla nesta batalha roxa que os Galgo criaram. Os sons são muito crus, cheios de energia e não dão espaço para estarmos desatentos. Um pouco ao estilo dos Paus, este álbum quer dar uma injecção de adrenalina. Ao ouvir este trabalho ficamos com uma sensação de que a banda quer explorar novos caminhos, mesmo que eles sejam caóticos. Nesta batalha, que têm com uma nuvem, ficamos a perceber claramente que vão para uma luta sem medo de arriscar. As duas primeiras músicas, “Banho Quente” e “Guruta”, abrem a porta para este universo, que por vezes parece nem ser deste sistema solar. A energia é dançável e cheia de ritmos quentes.

Há espaço para pormenores e ensaios, que por mais curtos e pequenos que sejam, não deixam ser interessantes. É o caso das canções “Tan” e “Gran”, têm as duas menos de um minuto e simulam sons de rádio ou radares. Não sabemos se os Galgo estão perdidos ou procuram o fenómeno meteorológico que os levou até aqui. De qualquer modo, são canções breves, mas com significado. Não estão ali perdidas, têm uma razão de ser. O álbum fecha com o primeiro single apresentado, “Bambaré”. É a música que ilustra melhor esta nova fase, muito fluída e para uma dança sem fim. O videoclipe mostra esta viagem cheia de ilustrações a um ritmo frenético e de cores muito vivas. É uma canção rica e que materializa um pouco daquilo em que a banda se quer transformar.

Este novo trabalho dos Galgo mostra que a banda não quer estagnar, bem pelo contrário. Há uma procura de novas influências, sejam elas mais difíceis de encaixar agora ou não. Não procuraram fazer um disco perfeito. Procuraram dar o primeiro passo para algo maior. Uma guerra talvez. Se for uma guerra eles vão preparar-se para isso. Com novas armas e mais poder de fogo.

Nota: 7.0/10

Rodrigo Castro