Não é fácil destacar uma dezena de concertos no meio do melting pot cultural que é o cardápio do MIL – Lisbon International Music Network, que assentará mais uma vez arraiais na zona do Cais do Sodré no final de Março. Além de muitos ficarem injustamente fora da lista, temos consciência dos muitos artistas que desconhecemos a priori, e que são um dos valores acrescentados por este evento cada vez mais internacional. A edição deste ano contempla participantes oriundos de locais tão díspares como Reino Unido, Noruega, Brasil, África do Sul ou Taiwan, além do riquíssimo naipe nacional que estará em jogo.

Lula Pena

Aproveitemos para seguir as regras, e comecemos pelo princípio. Pelo segundo ano consecutivo, o MIL incluirá uma noite de abertura na véspera do arranque oficial, em pleno B.Leza, onde pontificará Lula Pena. Trará na algibeira a folk bem sui generis, cantada em diferentes idiomas, sem nunca perder pinga de emoção. Uma viagem em que embarcamos quase sem dar por isso.

Letrux

Depois da desintegração do projecto anterior, Letuce, a brasileira Letícia Novaes decidiu continuar a dar largas à sua veia de compositora (ela que também é actriz e escritora), e enveredou por um trajecto a solo. Letrux Em Noite de Climão data de 2017 e vale como o seu registo de estreia, com que fará balançar a estrutura do B.Leza na noite de abertura do MIL.

Beautify Junkyards

O supergrupo encabeçado por João Branco Kyron recolheu elogiosas críticas com o seu terceiro álbum The invisible world of Beautify Junkyards, dado a conhecer no ano passado. Não admira, portanto, que estejamos com a curiosidade bem aguçada dada a oportunidade de sentir ao vivo as riquezas construídas a partir de variadíssimas correntes musicais.

Conan Osiris

Se já o rotularíamos de imperdível há muito tempo, depois do recente Festival da Canção torna-se ainda mais premente assistir ao OVNI que raptou a nova música portuguesa ao longo do último ano. Dado que ninguém fica indiferente à música e à dança do autor de Adoro Bolos, é recomendável constatar com os próprios sentidos in loco.

Conjunto Corona

O hip-hop peculiar e, ao mesmo tempo, familiar do agrupamento portuense torna o entretenimento rei em qualquer das suas actuações. Com o recente trabalho Santa Rita Lifestyle ainda pintado de fresco, o momento dificilmente seria mais propício para as batidas gordas e as rimas desconcertantes dos Corona.

Fogo-Fogo

Capazes de incendiar qualquer plateia, o colectivo que vai espalhar funaná pelos palcos mais alternativos do país promete meter toda a gente a dançar a mil. Depois das versões com que preencheram os seus primeiros concertos, os Fogo Fogo editaram o EP Nha Cutelo, que veio acicatar ainda mais o interesse deste agrupamento escalonado por João Gomes.

La Yegros

A argentina Mariana Yegros é a estrela deste projecto que muitos denominam como uma “revolução dançante”, através da combinação irresistível de ritmos latino-americanos, como a cumbia ou o chamamé , e motivos electrónicos. Temas como “Trocitos De Madera” ou “Chicha Roja” prometem provocar até o pé-de-chumbo mais pesado na plateia.

Pedro Mafama

Mais um nome bastante disruptivo que se vem instalando de forma cada vez mais cómoda no cenário nacional. A arrojada mistura entre elementos da música negra, com uma voz virada para o fado, torna-o num cokctail explosivo que está prestes a rebentar.

Reis da República

Se este colectivo é considerado interessante no seu registo de estúdio, ao vivo ganham uma dimensão extra sensacional, com base numa secção rítmica avassaladora, atravessando as suas actuações num registo que quase se transforma numa jam session. E, no meio da orquestra de prog rock em que se transformam em palco, vai emergindo a voz de Madalena Tamen para nos ir retemperando o espírito e os músculos.

Rubel

Contando com uma alargada base de seguidores no nosso país, o músico brasileiro foi nomeado para nos Grammy’s Latinos na categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa em Língua Portuguesa, pelo seu último disco Casas. Rubel arquitecta o seu som entre o indie e a MPB, numa carreira a descolar para mais altos voos, e conquistará seguramente ainda mais fãs com a sua passagem pelo MIL.

Álvaro Graça