Esta quente quinta-feira, 11 de Julho, marcou o majestoso regresso dum festival que nos sabe a casa – o NOS Alive. O primeiro dia trouxe-nos um alinhamento vincadamente britânico (The Cure, Hot Chip, Mogwai), mas com algumas muito especiais excepções (Ornatos Violeta, Robin, Sharon Van Etten). A Punch pôs os óculos de sol e cedo se dirigiu ao passeio marítimo de Algés, para um dia com muitas horas de música.

Ainda sob o radiante sol das cinco da tarde, os HONNE estrearam-se em Portugal, no palco Sagres. O duo londrino, que em álbum convida bastante à introspecção, revelou-se surpreendentemente leve, descontraído, sorridente. Não planeávamos começar a dançar e a ouvir refrões em coro tão cedo. Talvez nunca tivéssemos reflectido sobre quão simples são as letras de James Hatcher e Andy Clutterbuck, de motes repetidos à exaustão, mas continuamos a nutrir muito carinho pela sua pop bem articulada, e ganhámos um novo respeito pela voz de BEKA ao vivo.

Alive '19, 1º dia - Veteranos a palco - Linda Martini

O palco NOS era ocupado pelos Linda Martini. Num concerto que passou por todos os álbuns, com excepção de Marsupial, o competente quarteto trouxe-nos os seus hinos sem pudores. Desconfiamos que muito do público que preenchia a metade mais próxima do palco já tinha assentado arraiais na espera por Manel Cruz e companhia, e os Linda Martini foram um presente muito apreciado – sob aplausos, letras na ponta da língua, headbanging moshes.

Remind Me Tomorrow foi o mote para Sharon Van Etten nos mostrar a sua poderosa voz carregada de vibratos, novamente no palco Sagres.  “Seventeen”, deste mesmo disco, foi inclusivamente uma das mais celebradas. No entanto, sentimos que foram os êxitos anteriores, que felizmente também fizeram parte do alinhamento, que mais receptividade do público tiveram. A cantora (e actriz) é rock’n'roll e folk ao mesmo tempo, é expressiva mas também misteriosa, misturas que lhe caem muito bem.

No palco NOS, os Weezer agitavam o público não só com os seus temas mas também com inusitadas velhinhas como “Take On Me” (A-ha) ou “Africa” (Toto). Pela mesma hora, o prolifero Xavier Rudd brindava o palco Sagres com o seu reggae, trocando de instrumento de música para música e cativando uma fatia de público considerável.

Alive '19, 1º dia - Veteranos a palco - Ornatos Violeta

Chegava a hora mais aguardada por muitos – a da subida a palco dos Ornatos Violeta. As hostilidades abriram-se com “Circo de Feras” (Xutos e Pontapés), que ganhou uma cor diferente na sofrida voz de Manel Cruz. O tempo andou para trás e parecia que nunca tínhamos deixado de justificar a nossa existência com músicas como “Ouvi Dizer”. Em palco, Manel Cruz despia e vestia t-shirts, mas tendendo mais para o seu tão habitual em palco tronco nu. Na plateia, o público correspondia com todas as letras, com algumas dessas mesmas t-shirts e também com declarações de amor, à medida que a banda passava em revista O Monstro Precisa de Amigos – e também a demo “Pára-me Agora”. O tempo escapou-nos, e Manel anunciou o término do concerto de cerca de uma hora com “Capitão Romance”, apesar de ainda terem regressado a palco para uma muito apropriada “Fim da Canção”. As ovações e os agradecimentos foram genuínos de parte a parte, todos tinham dificuldade em arredar pé.

Voltando por momentos à realidade actual, visitámos Jorja Smith no palco Sagres. Com um público marcadamente mais jovem, a britânica estreou-se em Portugal para mostrar Lost & Found ou, melhor, para nos derreter com a sua voz e soul. A tenda do palco não tinha dimensão para tanto público, e tal não se alterou de imediato com a chegada da hora do concerto dos Mogwai. Estes veteraníssimos do post-rock trouxeram-nos de volta a agridoce melancolia, com as suas guitarras arrastadas e distorcidas. A única hipótese era deixarmo-nos submergir.

Alive '19, 1º dia - Veteranos a palco - The Cure

“Shake Dog Shake” abriu o concerto dos veteraníssimos The Cure, com o frontman Robert Smith muito igual a si próprio – vestido de negro, com maquilhagem carregada e de cabelos revoltos. De acordo com o prometido, a banda voltou a Algés para um alinhamento de duas horas – que resiliência invejável! Houve espaço para todos os temas que o público queria ouvir, como ”Lovesong” ou “A Forest”.

Alive '19, 1º dia - Veteranos a palco - Robyn

Não resistimos, ainda assim, de cometer o pecado capital de abandonar os The Cure. No palco Sagres tocava a sueca Robyn, que se apresentou em excelente forma. Perante um cenário bastante elaborado, as atenções, ainda assim, dificilmente se desviavam de Robyn – poderíamos dizer do centro do palco, mas a cantora, em abono da verdade, percorria freneticamente toda a sua área. Músicas como “Ever again”sublinharam ainda mais a sensualidade e a energia de Robyn, que somam à sua portentosa voz. A adição de um talentoso bailarino à banda trouxe ainda um novo nível de interesse visual.  ”Dancing On My Own” proporcionou um coro em uníssono com vida própria, que deixou Robyn muda de estupefacção. Foi um concerto que valeu muito a pena ver de perto.

A noite ainda não tinha acabado. Quem ainda acreditava que nada de bom acontece depois das duas da manhã, certamente não conseguia prever a festa que seria Hot Chip. A banda londrina não deixou s seus créditos em mãos alheias e contagiou o público com a sua energia em palco, as suas coreografias, as suas danças. Essenciais como “One Life Stand” e “Over and Over” pautaram o fecho de ouro deste primeiro dia de NOS Alive.

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Texto: Andreia Duarte
Fotografia: Joana Viana