David Bruno é um poeta que descreve de forma icónica Gaia e os seus arrabaldes. Os seus beats melódicos e as suas letras mirabolantes são o seu traço característico. Em 2018 lançou o álbum O Último Tango em Mafamude em que deu corpo, voz e imagem a todo um universo local, mas que representa muito bem a essência de ser português. Dentro desta linha o jovem músico vai apresenta mais um trabalho em breve em que procura decifrar as várias personagens que encontra no seu dia-a-dia, os locais por onde passa e a sua própria identidade. Miramar Confidencial é editado no próximo dia 20 de setembro. Aqui ficam as suas respostas ao nosso questionário.

Música que faz sempre lembrar o verão? Quim Barreiros – Chupa Teresa e Leonel Nunes – Vida Fixe. Porque Verão, em Portugal, é Festa, é Romaria, é Baile.

Bebida para ver um concerto ao pôr-do-sol? Safari-Cola.

Amigo com quem vais a concertos? Não tenho nenhum amigo dos concertos. Vou com quem quiser ir comigo.

T-shirt de concerto/festival favorita? Não tenho essa cultura… acho que nunca tive nenhuma t-shirt de nenhuma banda nem de nenhum festival.

Objectivo para este verão? O autocolante da discoteca “Penélope” em Benidorm, colado na traseira do meu Fiat Tipo DGT.

Praia para tocar guitarra? Miramar, na esplanada do Bar do Bano, a olhar para a capela do Sr. da Pedra.

Concerto que foi uma desilusão? Onra, Queima de Coimbra.

Três bandas para um churrasco punk? O que é um churrasco punk?

Gelado favorito? Solero. De frutos exóticos.

Melhor imperial/fino de Portugal? Gosto de Sagres – vão-me matar no Porto por causa disto… mas aprendi a beber cerveja na aldeia dos meus pais no distrito da Guarda, e lá só bomba mini sagres…. Mas bebo qualquer uma.

Bola com creme ou sem creme? Bola de berlim? Nem lhes toco.

Música pop para uma festa na piscina? Vitas – the 5th element.

Música pimba favorita? Leonel Nunes – Mulher Ingrata.

Festa de verão que ficou na memória? Festival? nenhum. Ficam-me concertos… assim de repente… Interpol num primavera sound, King Gizzard num paredes de coura, Yussef Dayes num Milhões de festa ….

Um músico com quem acampavas? Com o Bonga.

Álbum que levavas para uma ilha deserta? Depende das circunstâncias em que ia para essa ilha. Ia de férias? Ia exilado? Ia para ser desterrado? Vendo a coisa pelo lado positivo… se fosse para estar lá uma temporada de férias, levava o Dire Straits – Dire Straits, porque a “Sultan of Swing” é a música que costumo passar quando acordo e tenho vagar para andar a pastar pelo quarto.

Concerto nas grades ou numa zona calma? Zona calma, sem dúvida – sou um gajo reservado. Nunca fiz, por exemplo, crowdsurfing na vida.

Primeiro local em Portugal para mostrar um turista? Depende muito do Turista! Turismo é como a comida: há para todos os gostos e é preciso perceber o que o cliente quer….. Mas de uma forma mais genérica? Mostrava-lhe o não tão espetacular, para que ele percebesse que mesmo isso é espetacular em Portugal.

Como se chamaria um festival com a tua curadoria? Já há demasiados festivais em Portugal… em tom de gozo, já tive algumas ideias. NeoTinto (Esta ia-me valendo uma cartinha do departamento jurídico do NEOPOP) – Um festival de techno em frente ao Parque Nascente em Rio Tinto, onde actuavam DJs de techno e em cima do palco estava o Ricardinho (o jogador de futsal) a dar toques na bola e de vez em quando chutava umas bolas para o público. Criei o evento falso na net e ao fim de um dia já tinha centena de pessoas a dizer que iam, dezenas de miúdos da zona a partilharem o evento e mandarem mensagem a dizer onde podiam comprar o bilhete… Ficou provado que tem potencial para andar. Summer Madness de Infesta, um festival de verão em São Mamede de Infesta chamado Summer Madness de Infesta. Acho que nem é preciso dizer mais nada. E tenho uma ideia para um festival, mas sei nome ainda. Um festival num shopping onde os palcos eram as lojas.”Moullinex na Worten”, ” Xinobi na 5àSec”, “Glockenwise na multiópticas”, “Sensible Soccer na Sportzone”, “Capitão Fausto na Quebramar”, “Carlão na Benetton”.

Livro para ler na praia este verão? Não tenho lido tanto como gostaria nos últimos anos (o tempo não dá para tudo), mas sei lá… Terras do Demo do mestre Aquilino Ribeiro (adoro a escrita dele, lembra-me os meus avós e a minha bisavó a falarem) ou “A Capital” do Eça de Queirós – um livro que relata o que basicamente sempre me irritou profundamente em alguns artistas talentosos do “NORTE” – os deslumbrados que se iludem com a cagança da nossa capital e são engolidos pela suas areias movediças de amantes, fala-baratos, zés rópias, cagões, etc.

Momento mais marcante em festival de verão? Como espectador, não me lembro de nenhum tão marcante…

Música para fechar a noite? Essa é fácil: Marante – Som de Cristal.