Este ano o Super Bock Super Rock volta a uma das suas casas preferidas: o Meco! A 18, 19 e 20 de julho, o festival atreve-se, fora do ambiente urbano a que temos sido acostumados, a voltar à Herdade do Cabeço da Flauta para celebrar momentos históricos na presença de nomes imponentes e também de nomes da música emergente portuguesa e internacional.

O cartaz conta com a presença da norte-americana Lana Del Rey, a energia contagiante e psicadelismo dos Jungle, o multi-instrumentista francês FKJ, o hip-hop creativo de Kaytranada, o já clássico talento dos Phoenix, e outros nomes cimeiros de cartaz como Migos, Disclosure, Superorganism, Masego, Rubel, Janelle Monáe, Christine and the Queens, The 1975 e Cat Power. A aposta na música portuguesa é notável, tendo já começado com o “Road to SBSR”, um warm up de cinco fins de semana durante estes últimos meses, com alguns dos nomes que vamos ter o prazer de ouvir nesta edição: Conan Osiris, Conjunto Corona, Galgo, Glockenwise e Sallim. O festival conta também com os artistas lusitanos aclamados Capitão Fausto, Pedro Mafama, Mike El Nite e Profjam.

Nesta edição, vamos poder testemunhar grandes momentos musicais no espaço cénico e familiar que é o Meco, na 25ª edição consecutiva do festival que já nos habitou à presença de um cartaz eclético e de referência.

METRONOMY

É no primeiro dia do festival que somos brindados com a presença dos ingleses Metronomy e dos seus arranjos indie-pop de “The Look” e “Everything Goes My Way”. Joseph Mount é o líder de Metronomy e diretor visual das últimas músicas partilhadas pela banda: “Lately” e “Salted Caramel Ice Cream”. Estes singles são os mais recentes lançamentos, que culminarão no álbum que sairá no fim deste ano. Summer 08 é o mais recente álbum da banda, editado há três anos, em que vemos com clareza a transição da banda para uma nova fase, mais coerente, com músicas mais intensas mas com a mesma alegria e jovialidade que os marca. A caseira nostalgia pop dos anos 80, e a ironia e irreverência lírica obrigam o corpo a entrar na pista de dança através das suas músicas “Old Skool”.

Será um concerto de fim de noite que não vamos querer perder.

SHAME

No segundo dia, ao fim da tarde, sob a paisagem idílica junto à praia, será memorável a actuação da banda londrina, jovem e inseparável, Shame. Num estilo inconfundível britânico punk-rock pós-adolescente, a banda volta a Portugal, tendo estado o ano passado no Paredes de Coura, num concerto marcado por desreverência alegre e bastante crowsurfing. Com apenas um álbum lançado no ano passado, Songs of Praise é suficiente para entreter um público entusiasta e criar um ambiente descontraído e divertido.

CHARLOTTE GAINSBOURG

É ainda no segundo dia que sobe aos palcos a doce música psicadélica da franco-britânica Charlotte Gainsbourg, actriz e incontornável artista musical. Charlotte Gainsbourg, filha dos talentosos Jane Birkin e Serge Gainsbourg, que juntos imortalizam a romântica e sensual música “Je t’aime… moi non plus”, dão-nos a certeza que a convivência íntima com tais dotes torna a sua música cinematográfica e irrepetível. O seu mais recente álbum, Rest, é o quarto, mas o primeiro como compositora, em que canta em francês canções liricamente intensas e melancólicas mas com uma batida mobilizante. Deste álbum, vamos poder ouvir músicas como “Ring-a-Ring O’ Roses”, “Rest” e “Deadly Valentine”.

Será, garantidamente, um concerto imperdível, em que podemos contar com uma noite repleta de emoções, onde a cantora tende a explorar a parte comovente e sensível da perda do seu pai e meia irmã, tal como a energia poderosa das suas letras.

ROMÉO ELVIS

Uma hora depois de Charlotte Gainsbourg, também ainda no segundo dia do festival, podemos ouvir o rapper belga Roméo Elvis, que tem conquistado os países francos e, com a sua aparição na plataforma do youtube Colors, estendeu o seu charme ao mundo. Roméo Elvis cresceu rodeado de música, com um pai e uma irmã cantores (Marka e Angèle), e rodeado de arte, tendo estudado pintura e fotojornalismo. Este concerto promete uma hora dos seus vibrantes temas “Chocolat”, “Malade” e “300 (Henri)”, pelos quais, com certeza, os seus fãs esperam fervorosamente.

EZRA COLLECTIVE

Durante a madrugada do segundo dia, entramos na combinação afro-jazz dos Ezra Collective. Esta banda de cinco rapazes nasce em Londres, onde todos os membros são apaixonados pelos epopeicos nomes do jazz, produzindo música indubitavelmente electrizante e sensível. Lançam o mais recente álbum You Can’t Steal My Joy em Abril deste ano, com influências do soul e hip-hop muito marcadas, em que somos seduzidos por músicas como “What Am I to do?” e “Reason in Disguise”. Podemos esperar no fim do concerto a “Juan Pablo”, uma música prazerosa e alegre, com todo o jazz a que nos habituaram desde o seu início, pertencente ao álbum premiado como Melhor Disco de jazz (Worldwide Awards 2018 de Gilles Peterson).

Espera-nos uma madrugada inesquecível.

CONJUNTO CORONA

Por último, como não seria de estranhar, temos como imperdível o grande e único Conjunto Corona. Quem já esteve num concerto desta banda nortenha, sabe que é um concerto impossível de esquecer, em que podemos ver dB (David Bruno) e Logos a representa a banda, ao lado de Kron Silva e do épico e adorado pelo público Homem do Robe. Santa Rita Lifestyle é um álbum que se nota ter sido produzido sob o terno sabor a Hidromel, que tão frequentemente a banda partilha com o público. Não são raros os cânticos alegres e uníssonos por “Gondomar”, num ritmo de transições hilariantes e musicalmente completas. A introdução de samples, referências portuguesas e sátiras urbanas, de contextos marginais, é puramente mágica.

É um concerto de fim de tarde do primeiro dia, que vai dar o tom e unir o público nestes três dias de festival.

Marta Pinto