Ouvir a Monday é sempre um prazer. O fim de tarde um pouco ventoso na Casa do Capitão foi bom para recordar uma das grandes vozes femininas da música independente em Portugal. A compositora também conhecida como Cat Falcão tem dois trabalhos já editados. O álbum, “One”, lançado em 2018 e o EP “Room for All” editado em 2020. Em palco não precisa de grandes adereços. Acompanhado por Miguel Nicolau, parceiro criativo e romântico, agarrou os presentes logo na primeira canção.

A guitarra de Monday nos primeiros acordes faz-nos lembrar Jeff Buckley. O seu estilo sincero e sentimental também leva-nos para terrenos mais melancólicos. Contudo há uma simplicidade que consegue ser contagiante. A música desta artista fala-nos das coisas do dia-a-dia, de experiências pessoas ou até mesmo de um peixe que se chamava Osvaldo. A música não tem de ser espalhafatosa, mas sim verdadeira. É isso que sentimos quando ouvimos a Monday.

Este era apenas a segunda vez que a Catarina e o Miguel tocavam juntos. Sente-se ali uma cumplicidade própria de quem partilha uma vida a vários níveis. Isso também acontece no outro projecto da cantora, as Golden Slumbers, onde faz dupla com a irmã Margarida. Essa generosidade de partilhar o protagonismo faz parte da sua personalidade. Não podemos ignorar o facto de ter mais irmãs e de chegar mais facilmente ao próximo. É fácil de gostar de Monday e de tudo o que representa. A artista tem outras lutas, lutas que valem a pena.

Ao longo do concerto foram tocados temas dos trabalhados editados, mas também houve momentos para covers e canções novas. Há promessas de eventuais novos lançamentos, quer neste projecto a solo, quer com a irmã na em Golden Slumbers. Uma coisa é certa, queremos mais disto. Foi um concerto simples e intimista. Procuramos também momentos como este, que nos tragam sinceridade e uma certa tranquilidade.

Fotografias: Beatriz Sampedro

Texto: Rodrigo Toledo